São Paulo, 06/10/2008

 
LINHAS DE PESQUISA (em andamento ) - 2008

As linhas de pesquisa que seguem constituem diversos enfoques sobre o mesmo processo de transformação econômica e social. A sua individualização se justifica apenas na medida em que tem dado lugar a "produtos" separados, sob forma de cursos, seminários, palestras e publicações, conforme pode ser constatado na produção científica.

Por outro lado, tratando-se de pesquisa teórica, constitui pesquisa "open-ended", sem data precisa de encerramento. A sua breve descrição tem o objetivo de informar o leitor sobre os trabalhos em curso, ao mesmo tempo que constitui uma solicitação aberta de cooperação sob forma de idéias, artigos, sugestões bilbiográficas etc., que poderão ser enviadas para o mural.

  1. Articulação de mecanismos de regulação nas economias modernas:  

           A globalização e as novas tecnologias estão diversificando as tradicionais polarizações entre privatização/mercado por um lado, e estatização/planejamento por outro. Trata-se de buscar as novas formas de articulação entre mercado, planejamento estatal, gestão direta da sociedade civil, coordenação inter-empresarial, políticas de renda, concertação internacional e outros mecanismos que se articulam na sociedade complexa que enfrentamos. Resultados parciais do estudo foram publicados pelo Seade, na revista São Paulo em Perspectiva, com o título Capitalismo: novas dinâmicas, outros conceitos, Abril-Junho 1998; uma visão mais ampla, O Mosaico Partido, foi publicada pela editora Vozes, 2000; o processo é igualmente focado em A Reprodução Social, Vol. I (edição revista), Vozes, 2002, e Vol. II (edição revista), Vozes 2003.

  2. Poder local:   Formas modernas de organização da economia local, sistemas participativos, organização de sistemas de informação para o planejamento descentralizado, estudo de experiências na linha das "best practices" apresentadas em Istanbul, potencial da organização local para a gestão social. A questão da coordenação e cooperação intermunicipal desta pesquisa constitui atualmente um projeto que conta com equipes do Cepam, Pólis, FGV (projeto de Peter Spink), da Fundap e da Puc de São Paulo, no quadro de um financiamento inicial da Fapesp, colaboração da Fundação Ford. Resultados parciais podem ser acessados no site www.web-brazil.com/gestaolocal . O livro O que é Poder Local? foi reeditado pela Brasiliense 2000. O Instituto Pólis e a FGV-SP publicaram em 2002 o livro Novos Contornos da Gestão Local (ver neste site, em "Livros em colaboração"). Em 2005 foi iniciada uma pesquisa para propor "Uma política nacional de apoio ao desenvolvimento local" (ver abaixo, ponto 8). 
  3. Tecnologias da educação:  

       As novas tecnologias, em particular a informática e as telecomunicações, estão criando um novo quadro de referência para a educação e os espaços do conhecimento em geral. Pesquisa iniciada em 1987 com publicação de Aspectos Econômicos da Educação pela Ática, e dinamizada em 1993 com um conjunto de trabalhos vinculados à Conferência Internacional sobre Educação do Futuro e formas inovadoras de pós-graduação na PUC de São Paulo. O aspecto de implantação descentralizada de políticas municipais para a infância foi transformado em projeto, e financiada pela Unicef/New York, com publicação de Managing Cities as if Children Matter, pela Unicef, em 1999. Um resultado indireto é o trabalho A Educação Frente às Novas Tecnologias do Conhecimento, financiado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, em articulação com a Escola do Futuro da USP e a Fundação Vanzolini, visando qualificar a rede de ensino público do Estado no uso de novas tecnologias como a Internet (maio 2000), e publicado sob forma de livro pela Vozes, com o título Tecnologias do conhecimento: os desafios da educação, 2001; atualmente o trabalho está orientado para a formação profissional. Participação de Mariluci Alves Martino, que defendeu o mestrado em administração sobre formação profissional, e está atualmente escrevendo a tese no doutorado em educação.

  4. Impacto intersetorial das comunicações:  

       Iniciado como estudo da concentração do chamado Quarto Poder nas mãos de algumas familias no Brasil, a pesquisa evoluiu para uma visão mais ampla das mudanças que estão ocorrendo nos mais variados setores, como consequência da explosão da comunicação. A atividade econômica está mudando, as finanças se globalizaram, o acesso a bancos de dados e a conectividade global mudaram a forma de fazer ciência, o conceito de cultura se tornou muito mais abrangente e fluido e assim por diante. Reunindo pesquisadores de diferentes áreas, a pesquisa permite estudar os impactos estruturais mais amplos das transformações em curso. O grupo de trabalho envolve professores de várias áreas e instituições, com particular participação da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP Um produto imediato é o livro Desafios da Comunicação, publicado pela editora Vozes em 2001. Atualmente o trabalho se concentra nos sistemas de comunicação e informação para a cidadania, em colaboração com Hazel Henderson e outros pesquisadores que organizaram a ICONS2003 (ver www.sustentabilidade.org.br  )

  5. Globalização e tendências do trabalho:  

        A questão da transformação do trabalho tornou-se absolutamente crucial, e constatamos que a análise destas transformações esbarra com inadequação de conceitos e de classificações teóricas. Basta ver o vago que são conceitos como trabalho informal, ou economia subterrânea, quando sabemos que está se tratando, como ordem de grandeza, de um terço da mão de obra do país. Busca-se inclusive novas formas de classificar o trabalho remunerado e não remunerado e as formas cada vez mais extensas de trabalho temporário. A terceirização gera outro complicador, ao jogar uma série de atividades no que tem se chamado de trabalho precário. As Nações Unidas têm dedicado atenção crescente ao que tem chamado de jobless growth, ou seja, crescimento sem emprego. Surgem visões alarmistas como as de Rifkin, e horizontes róseos de ócio ativo  como os que apresenta Domenico de Masi. Na realidade, entre os catastrofistas e os sonhadores, há amplo espaço para uma sistematização das transformações em curso, e o tema é suficientemente premente para que valha a pena, sobretudo se isto permitir esclarecer um pouco como as dinâmicas internas de transformação do trabalho se enraizam nas mudanças globais. A pesquisa, partindo do interesse da Universidade Metodista de São Paulo (pós-graduação em administração), resultou na publicação de O que Acontece com o Trabalho? pela editora Senac em 2002 (indicado para o prêmio Jabuti); o livro Os Desafios do Trabalho  foi publicado em  dezembro de 2003. Participação dos alunos da pós-graduação em administração Arlindo Rodrigues, Elza rosa e Flávio Foguel., da Professora Maria Cristina Amorim, e de 19 pesquisadores de diversas instituições. Desta pesquisa resultou também a dissertação de mestrado em administração de Antonio Gutierrez Domingues Filho, sobre “A qualidade de vida no trabalho como instrumento de gestão” (outubro 2003), bem como propostas de frentes de trabalho junto com DIEESE, CUT e outros (2004). Em preparação para 2006-2007, um projeto de pesquisa comparada de políticas de emprego Brasil-China-India, em parceria com a Maison des Sciences de L'Homme, da Universidade de Paris, coordenação de Ignacy Sachs.

  6. Informação para a gestão municipal:   A informação bem organizada e disponibilizada constitui um poderoso instrumento de racionalização da gestão. Os impressionantes avanços tecnológicos nesta área nos fornecem instrumentos extremamente maleáveis. No entanto, continuamos em geral, na gestão pública, mais propriamente inundados de informações do que informados. A organização de sistemas integrados de informação para os municípios constitui um desafio particularmente interessante, pois a gestão local só funciona com participação cidadã, e não há cidadania sem informação adequada. Saber que temos 6 milhões de casas para construir no país é importante, mas as soluções passam por atores sociais concretos de um município saberem quantas casas faltam, e onde, no espaço concreto onde as pessoas vivem, e podem se organizar para articular respostas. O Banco Mundial continua centrado na renda, o IDH constituiu um avanço ao incluir saúde e educação, os indicadores Calvert-Henderson já incluem um leque mais amplo de 12 grupos de indicadores. Gradualmente, vamos construindo a contabilidade nacional e local que inclui dados sobre como vai a economia, mas que privilegia cada vez mais informações sobre como vai o cidadão. A construção da transparência no nível onde o cidadão pode participar ativamente tornou-se essencial. (Veja neste site o artigo metodológico "Informação para a cidadania e o desenvolvimento sustentável", em "Artigos Online"). Em 2005 está sendo desenvolvido o projeto que elaboramos sobre "Interoperabilidade de bancos de dados de gestão local", com apoio da Fundação Banco do Brasil e da Petrobrás. 
  7. Desafios do Consumo:   Pesquisa iniciada em março de 2004, sobre as tendências do consumo, e os impactos da publicidade, da cartelização, de produtos intangíveis, da propriedade intelectual, de produtos de baixa elasticidade-prêço e outras dinâmicas que transformam simultâneamente o consumo, o marketing e os arranjos produtivos. Na linha das pesquisas do Núcleo de Economia Mundial Contemporânea, a pesquisa é interdisciplinar e interinstitucional, devendo resultar em publicação prevista para 2006. Coordenação do prof. Hélio Silva, participação de Arlindo Rodrigues, Mariluci A. Martino, Elza rosa, Maria Amélia J. Cora e Flávio Fóguel e outros.
  8. Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local:   Em 2005 foi iniciada uma pesquisa para propor "Uma política nacional de apoio ao desenvolvimento local", apoiada pelo Sebrae, Fundação Banco do Brasil  e outras instituições parceiras, no quadro do Instituto Cidadania, com participação de cerca de 60 instituições ligadas ao desenvolvimento local, como CEPAM, IBAM, Pólis, FGV-SP/GPC, CEF, BNB, etc. O projeto tem o seu próprio site www.desenvolvimentolocal.org.br  

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