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São Paulo, 06/10/2008


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Eduardo Girão Santiago
Empreender para sobreviver: ação econômica dos empreendedores de pequeno porte Tese de doutorado em sociologia, na Universidade Federal do Ceará
Onde encontrar: A tesse foi publicada pelo Banco do Nordeste -www.bnb.gov.br - 2008 - Contato eduardog@bnb.gov.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (25/08/2008):
A compreensão de que devemos avançar fortemente, nas contribuições teóricas, pesquisa e levantamentos empíricos, sobre o chamado "andar de baixo" da economia - pequenos empreendimentos, cooperativas, autônomos e outros deste imenso Brasil que "se vira", está se enraizando no Brasil. O balanço do Ipea sobre o setor informal no Brasil nos dá a cifra impressionante de 51%. Ou seja, organizar a inclusão produtiva desta metade do país é vital para a produtividade sistêmica do conjunto.
As propostas que estão sendo discutidas no "main stream" não trazem muita coisas interessante: populariza-se De Soto e Prahalad, que pensam dominantemente em transformar os pobres em empresários de sucesso, com simplificações que não se sustentam. No nível mundial, no entanto, são 4 bilhões, segundo o balanço do Banco Mundial (IFC - The Next 4 Billion), que "não têm acesso aos benefícios da globalização". A inclusão produtiva está na ordem do dia, problema central do planeta, junto com os desafíos ambientais.
Eduardo Girão traz uma visão apoiada em experiências concretas do Nordeste, seguindo os caminhos do micro-crédito, estudando iniciativas de regiões pobres, e trazendo a avaliação das próprias comunidades sobre o que funciona e o que é inadequado. A sua dissertação de mestrado já tinha sido sobre políticas de apoio ao setor informal. A visão está centrada no desenvolvimento integrada do território.
Com sólido equilíbrio entre teoria e avaliações de experiências práticas, trazendo com muito realismo as dificuldades de transformar a realidade, escrevendo em linguagem simples e direta, Girão está ajudando a dinamizar esta área em rápida expansão de análise das formas de dinamização do que Milton Santos chamava de "circuito inferior" da economia. A leitura vale a pena. O contato com o autor é eduardog@bnb.gov.br
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Marcia Moussalem
Associação privada sens fins econômicos de assistência social (o caso da Liga das Senhoras Católicas) Dissertação de Mestrado em Serviço Social na PUC-SP, abril de 2008, orientação da profa. Aldaiza Sposati, banca com os professores Eloisa Helena de Souza Cabral e Ladislau Dowbor. Contato de Márcia Moussalem memor_6@yahoo.com.br
Onde encontrar: memor_6@yahoo.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (29/04/2008):
Uma instituição filantrópica que se chama Liga das Senhoras Católicas é uma relíquia? Vejamos o estatuto de 1923, que lhe deu nascença: A Liga fundará, quando o permitirem as circunstâncias, uma casa de providência para proteger “as moças infelizes e inexperientes da vida que nesta, como em todas as grandes cidades, tombam todos os dias victimas precisamente daqueles que se lhes deparam como protectores no seu infortunio”. O que acontece com uma instituição deste tipo no vendaval da modernidade, do botox, do silicone e da prostituição pela internet?
Márcia Moussalem foi ver, analizou e pesquisou o que acontece com uma instituição que se defronta com a comunicação de massa e outras tecnologias, ao mesmo tempo que o pano de fundo da desigualdade e da exploração se mantém pouco diferente, talvez até mas grave. Na realidade, a pobreza é seguramente mais ampla, diversificada e violenta. Os desafios são basicamente os mesmos, enquanto a herança da cultura organizacional tem sólidas raízes na caridade cristã de antigamente. Como navega esta caravela de outros tempos entre gigantes tecnocráticos de fundações corporativas que praticam o bem com sólido acompanhamento das avaliações de impacto sobre a imagem empresarial e o valor da marca? Márcia fez a lição de casa, escrveu de forma clara e cuidadosa um trabalho muito interessante de como uma instituição se reinventa, se transforma e se atualiza. As senhoras católicas, pela imagem que emerge, estão ficando bem para a frente, por assim dizer.
Vale a pena abrir um pouco o horizonte. Com os dramáticos desafios planetários (aquecimento global, esgotamento dos recursos, contaminação do planeta, 4 bilhões de pessoas à procura do seu lugar – o Banco Mundial diz que não têm acesso aos “benefícios da globalização”), o desafío não é apenas para a filantropia. O mundo empresarial, tecnologicamente e financeiramente poderoso, encontra-se de outra forma também na prehistória, correndo atrás da chamada Responsabilidade Social Empresarial, tentando resgatar a sua imagem social e ambiental. Estão saindo da visão filantrópica, descobrem que o pobre é um cidadão privado dos seus direitos, e não um humilde pedinte. As discussões sobre o Estado evoluem igualmente da visão paternalista e assitencialista para uma compreensão moderna de se colocar ao serviço de políticas cidadãs, na linha do Estado articulador de atores sociais. Emerge gradualmente uma visão decente da democracia.
O fato é que a LSC está dando a volta por cima, atualizou tanto os estatutos como as práticas, participa nesta busca de políticas sociais decentes que todos queremos construir. O trabalho de Márcia é muito sólido em termos teóricos, e soube trazer, através de pesquisa e entrevistas, toda a dificuldade da construção de uma nova cultura organizacional.
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Maria de Fátima Duque Caçador Alexandre
O papel do prosissional de responsabilidade social empresarial, seus referenciais e desafios – Dissertação de mestrado em administração na PUC-SP, fevereiro de 2008, orientação prof. Ladislau Dowbor, banca com os professores Luciano Junqueira e Luis Carlos Merege.
Onde encontrar: mafalexandre@gmail.com Biblioteca da Puc-sp
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Comentário por Ladislau Dowbor (22/02/2008):
Na minha imaginação, esta dissertação quando publicada sob forma de livro terá como título “Do discurso à ação: A solidão do profissional de Responsabilidade Social Empresarial”. Por enquanto, este excelente trabalho está disponível com a autora, sob mafalexandre@gmail.com e na biblioteca da PUC-SP.
O conceito de responsabilidade social empresarial, RSE, está generalizado no planeta, mas é recente. O resultado é um descompasso entre as necessidades e o nível de formação.
Empurrar a marca já não basta, é preciso mostrar que a atividade da empresa é socialmente útil e ambientalmente sustentável. Em outros termos, o mundo corporativo está descobrindo a ética, e já era tempo. Para quem acompanha a governança corporativa, é evidente que há uma grande distância entre a adesão ao discurso, e a implementação de políticas.
A cultura dominante ainda é pouco estimulante. Veja-se a política de corrupção ativa por parte das grandes empreiteiras, as fraudes da indústria farmacêutica mundial, a manipulação de preços pelo oligopólio dos grãos, o esgotamento dos mares pela pesca oceânica industrial, o caos financeiro gerao pelos chamados “investidores institucionais”, a política dos grandes grupos do petróleo. O vale-tudo empresarial não é exceção. Com o crescente nível de informação da sociedade, a consciência das pessoas progride e os dramas estão sendo melhor compreendidos. As pessoas sentem na pele o impacto de aquecimento global, da escassez de água limpa, da polarização planetária entre ricos e pobres que nos coloca em clima de guerra. Com as novas tecnologias e a formação de gigantes empresariais, o lucro se concentra, os empregos gerados são poucos, e os impactos ambientais se tornam planetários. Não basta a empresa avaliar os ”outputs”, é preciso avaliar os resultados sociais, econômicos e ambientais, os chamados “outcomes”.
O trabalho de Fátima Alexandre apresenta uma excelente sistematização da evolução dos conceitos e dos posicionamentos, que vão desde o cheque para uma instituição de caridade, até a mudança dos próprios processos produtivos (core business), visando uma contribuição positiva para a sociedade.
O foco principal está no profdissional da RSE. Trata-se de uma área que se expandiu em ritmo acelarado, em período recente, fazendo com que o profissional da seja geralmente uma pessoa sem formação específica na área, emprestado por outro setor, de marketing ou de recursos humanos. Os profissionais da RSE assumem a função, mas passam a aprender no próprio caminho. Enfrentam um grande descompasse entre as necessidades profissionais e as soluções “por empréstimo” que frequentemente resultam em atitudes apenas cosméticas.
Preso entre as pressões da empresa que quer melhorar a imagem sem excessivos esforços, e as exigências crescentes da sociedade por atitudes mais responsáveis, dotado de poucos recursos, e com pouca autoridade na instituição, além de capacitação específica incipiente o profissional da RSE vive a tensão de quem tem de responder a um objetivo grande com meios pequenos. Isso sem falar da tão frequente hipocrisia empresarial, onde se exige mais capacidade cosmética (greenwsashing) do que ação de verdade, gerando uma conflito ético permanente para o profissional.
A Pós-graduação em administração da PUC-SP está acumulando um acervo interessante de trabalhos sobre o tema, valendo a pena lembrar por exemplo os trabalhos de Robeto Galassi Amaral, Paulo Rogério Lima, Rosângela Quilici, Célia Santana, entre outros, resenhados abaixo.
Fátima tem uma excepcional capacidade de sistematização, a sua linguagem é clara, permite uma visão de conjunto muito bem ordenada, além de trazer interessantes casos concretos através das entrevistas realizadas. Recomendo.
Contato: mafalexandre@gmail.com
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Marilene Zazula Beatriz
Os sentidos da economia solidária: os caminhos da autonomia coletiva e organizativa Tese de doutorado em Psicologia Social, PUC-SP, Junho de 2007 – Participam da banca os professores Peter Spink (orientador), Odair Furtado, Jacqueline Brigagão, Ilka Camarotti e Ladislau Dowbor.
Onde encontrar: Biblioteca da PUC-SP, Programa de Pós Graduação em Psicologia Social, ou com a autora marilene.zazula@utp.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (02/07/2007):
Economia solidária constitui uma alternativa sistêmica ao caos gerado na sociedade pela guerra econômica generalizada? É interessante notar o surgimento de conceitos como economia social, processos colaborativos (em contraposição à simples competição), gestão social, reprodução social (além da reprodução do capital), desenvolvimento endógeno e assim por diante. O conceito de economia solidária situa-se no largo espectro da busca por relações de produção que funcionem. Porque hoje sabemos que modernizar as tecnologias não basta, temos de reinventar as relações de produção. A própria força do surgimento das organizações da sociedade civil, com soluções organizacionais extremamente diversificadas, aponta para a necessidade de novas soluções.
O trabalho de Marilene exsplora o potencial da economia solidária, sistematizando as propostas, e confrontando-as com o entendimento de uma comunidade produtiva, suas dúvidas e dificuldades. Torna-se assim clara a distância entre o discurso oficial e o entendimento no nível dos produtores, e a necessidade de ampliar o processo.
A dimensão do problema é hoje clara para quem quer ver. O Ipea no seu estudo Brasil 2006 – Estado da Nação – estima que o setor informal representa no Brasil 51% da PEA. O Banco Mundial avalia em 4 bilhões de pessoas os que não têm acesso ao que o relatório (IFC/WB – The Next 4 Billion) chama de “benefícios da globalização”, e cuja inclusão produtiva está por ser organizada. Estamos falando de mais de 60% da população mundial, literalmente deixados por conta. Se juntarmos a polarização planetária entre ricos e pobres, o aquecimento global e a destruição ou esgotamento de recursos não renováveis, damo-nos facilmente conta de que a busca por relações de produção decentes, ou minimamente modernas (e não em ilhas corporativas priviligiadas) está na ordem do dia. A simples competição, apresentada como mecanismo regulador que leva à sobrevivência do mais apto – leva-nos a impasses estruturais insustentáveis.
É neste plano da avaliação de um dos mecanismos alternativos em construção – a economia solidária – que o trabalho de Marilene constitui um aporte muito significativo, pela qualdiade da sistematização dos argumentos, e pelo enfoque tranquilo e realista no pesar os argumentos.
Para os que participaram da pesquisa “Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local (ver p. 33 e ss) é interessante ver a “ponte” entre o conceito de economia solidária e a necessidade de se criar uma ambiente favorável às iniciativas locais de desenvolvimento por meio de redes de financiamento, de comercialização, de apoio tecnológico e assim por diante.
A tese é de psicologia social, orientada por Peter Spink, que trabalha essencialmente com formas alternativas de gestão da sociedade, e o tema central trata de formas alternativas de organizar a produção. Isto nos traz com toda clareza a necessidade de olharmos os probmemas de forma mais ampla, cruzando tranquilamente as fronteiras das áreas científicas tradicionais. A realidade fatiada em disciplinas faz-nos perder de vista a riqueza das interações, o processo dinâmico das transformações. A baixa auto-estima dos excluidos dos processos econômicos é um problema que se resolve no plano pscicológico?
Estamos todos confrontados com as diversas dimensões de um drama que nos atinge a todos, ainda que de forma diversificada: processos elitistas que excluem as maiorias, processos predatórios que destroem o planeta. A visão tem de ser sistêmica.
A tese está disponível na PUC-SP, pós-graduação em Psicologia Social (11) 3670.8400, ou com a autora marilene.zazula@utp.br
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Eduardo Fernandes Pestana M oreira
Evolução e perspectivas do comércio internacional de açucar e álccol. Tese de doutorado em Ciências Sociais da PUC de São Paulo, defendida em maio de 2007; participam da banca os professores Guilherme Dias, Lúcio Flávio, Walter Belik, Ladislau Dowbor e Paulo Rezende (orientador).
Onde encontrar: edumoreira@pucsp.br ou na Biblioteca da PUC-SP
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Comentário por Ladislau Dowbor (24/05/2007):
As opções energéticas estão na ordem do dia. O petróleo não vai desaparecer no curto prazo, mas a era do uso perdulátrio de uma fonte de energia barata (o custo é de extração, não de produção, fato que as pessoas esquecem) está chegando ao fim, e a pressão em torno do aquecimento global está se tornando muito forte. Neste plano, o Brasil se apresenta com trunfos únicos: tem a maoir reserva de solo agrícola parado do planeta, muita água, bom clima e quarenta anos de acúmulo tecnológico e organizacional na produção de etanol. Aparece assim o setor da cana como salvo pelo gongo: o peso do açucar diminui no mercado mundial, mas surge a alternativa do uso energético da cana. Assim, ao analisar as dinâmicas do açucar e do álcool, Eduardo Moreira delinea a situação e perspectivas de um grande setor da economia brasileira. O trabalho é muito bem documentado, e excepcionalmente bem escrito. Resgata o processo histórico, analisa as diversas condicionantes internas e internacionais. No plano teórico, o autor resgata a visão de Ha-Joon Chang: o setor energético não se regula propriamente por mecanismos de mercado, e sim por articulações de grupos de poder, com forte participação do Estado em todos os países.
Eduardo trabalha na área, e conhece profundamente o problema. Para quem quer obter uma visão de conjunto dos desafios do setor sucro-alcooleiro, é uma ótima leitura, inclusive porque a bibliografia cobre o conjunto da área. E boas monografias que estudam de maneira integrada um setor da economia constituem uma avenida importante para entender processos econômicos e sociais de maneira mais ampla.
O trabalho pode ser obtido com o autor, edumoreira@pucsp.br ou na biblioteca da Puc-SP.
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Pedro Silva Barros
Governo Chavez e desenvolvimento: a política econômica em processo Dissertação de mestrado em economia da PUC-SP, defendida em maio de 2007; participam da banca os professores Rosa Maria Marques (orientadora), Paulo Nakani e Ladislau Dowbort.
Onde encontrar: Biblioteca da PUC-SP ou com o autor psbarros@pucsp.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (24/05/2007):
Entender o que está acontecendo na Venezuela é importante. Apesar de todas as simplificações que aparecem nas imprensa brasileira, que vestem Chavez na roupa de antigos caudillos militares ou de populistas tipo Perón, a realidade é históricamente nova, e os processos são radicalmente diferentes. Numa país virtualmente sem classe média, dominado por uma gangue de rentistas acostumados a viver do petróleo sem tomar iniciativa alguma para o desenvolvimento do país, a articulação de um governante diretamente com a a base popular constitui a única forma de gerar uma outra força política e de promover transformações. Não se trata mais da visão populista que consistia em usar de demagogia junto à população para perpetuar interesses dominantes, trata-se de usar a relação direta com organizações populares para gerar um contrapeso à tradicional oligarquia do país.
Para a oligarquia jurássica que dominou a Venezuela, a exploração do petróleo com o apoio de corporações internacionais constituiu uma forma confortável de sobrevivência, enquanto os dramas sociais e econômicos iam se agravando. Este tipo de situação é encontrado numa série de países. A alternativa da venezuela é neste sentido muito significativa.
O trabalho de Pedro Barros é importante porque é muito bem documentado, apoiado em várias visitas de estudo que fez no país, e sobretudo porque mostra, ao desenrolar o processo de transformações das últimas décadas, a que ponto se trata de mudanças históricas. Literalmente, passamos a entender o processo venezuelano. Muito bem escrito, bem organizado e transparente nos argumentos, ponderado na visão, bem documentado, o estudo de Pedro Barros é uma sólida vacina contra as simplificações absurdas que têm surgido sobre o que está acontecendo na Venezuela, na esquerda e na direita. O trabalho está disponível na biblioteca da PUC-SP e com o autor psbarros@pucsp.br
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Roberto Galassi Amaral
Responsabilidade social da empresa: a áarea de gestgão de pessoas como mediadora entre a organização e a comunidade Dissertação de mestrado em Administração orientada pelo professor Antonio Vico Mañas, defendida em maio de 2007 na PUC-SP; participam da banca Arnoldo Hoyos Guevara e Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Biblioteca da PUC-SP, ou na pós graduação em Administração, 11-3670.8513 ou com o autor roberto.galassi@terra.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (24/05/2007):
Roberto Galassi tem uma longa vivência na área da responsabilidade social empresarial, e capitaliza a experiência nesta pesquisa sobre como se entrentam os problemas concretos de gestão destas políticas em 10 grandes empresas. O autor selecionou empresas grandes, dominantemente multinacionais instaladas no Brasil, e estuda como estas empresas organizam as suas ações de RSE, com particular ênfase no papel das áreas de Recursos Humanos, a hoje chamada gestão de pessoas. É interessante ver os diferentes níveis e formas de articulação das iniciativas de RSE nas empresas, organizadas para o lucro, mas precisando hoje acrescentar dinâmicas que obedecem a lógicas e a uma cultura diferentes. A dissertação constituirá um apoio muito sério para quem queira desenvolver pesquisa sobre o tema. A bibliografia é ampla, o trabalho é bem escrito, e a apresentação sistemática dos problemas da gestão constitui um aporte significativo.
Para muita gente, a corporação é mais um fator de problemas do que de soluções, e não há dúvida de que é frequentemente o caso. No entanto, as transformações hoje necessárias não se farão sem estas empresas, e a sua lenta modernização em termos sociais e ambien tais é simplesmente necessária.
Dissertação disponível na Pós-graduação em Administração da PUC de São Paulo, na biblioteca da instituição ou com o autor.
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José Alfredo Bosi
Democracia participativa: uma alternativa para novos desenhos institucionais - a experiência na área orçamentária Dissertação de mestrado em Administração, sob orientação de Luciano Junqueira, PUC-SP, Maio de 2007; participam da banca Maria Victória Benevides e Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Pós-graduação em administração da PUC-SP, tel. 11-3670.8513 ou com o autor jose.alfredo@estadao.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (07/05/2007):
O trabalho de José Alfredo Bosi trata de um problema central para o funcionamento da sociedade moderna: a democracia representativa não é suficiente. De certa maneira, temos de evoluir da democracia a cada quatro anos para um processo permanente de gestão democrática. O foco do trabalho é a avaliação da contribuição do orçamento participativo, com uma análise interessante dos seus altos e baixos. Ao “situar” estas experiências, no entanto, José Alfredo apresenta de maneira simples e muito bem organizada os principais argumentos relacionados com o potencial da democracia participativa.
Ao centrar a análise no nível do município, o autor é levado a detalhar as formas práticas da participação organizada da comunidade. Nos dizeres de Maria Victória Benevides, trata-se de “um assunto absolutamente vital”. Na realidade, hoje constatamos que só há democracia quando há prestação de contas. Isto por sua vez implica uma sociedade informada, direitos de acesso aos processos decisórios, sistemas descentralizados de comunicação e assim por diante. O orçamento participativo neste sentido transfere efetivamente um segmento de poder, tem impacto formativo sobre os participantes, mas também é insuficiente na medida em que se constata que um prefeito que se opõe à participação simplesmente consegue travá-la. O estudo de José Alfaredo é excepcionalmente bem escrito, e ajuda muito na compreensão tão importante dos mecanismos práticos de uma democracia que funcione. Nesta era em que estamos implodindo em termos de dramas ambientais e de desigualdade social, este tipo de estudo ajuda muito. Boa leitura.
Dissertação disponível no Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração da PUC-SP (tel. 11-3670.8513), na biblioteca da PUC e com o autor.
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Mariluci Alves Martino
A importância das parcerias na educação profissional Mariluci Alves Martino – A importância das parcrias na educação profissional – Tese de doutorado em Educação e Currículo, sob orientação da profa. Myrtes Alonso, defendida na PUC de São Paulo em 27 de outubro de 2006. Pariticiparam da banca os professores Júlio Almeida, Pedro Pontual, Fernando Almeida e Ladislau Dowbor. Contato: mariluam@uol.com.br
Onde encontrar: A tese está disponível com a autora, na biblioteca da PUC-SP, ou na Pós-graduação em Administração, tel, (11) 3670.8513; veja também o site em construção www.posadmpucsp.org.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (01/11/2006):
A professora Mariluci vem da área empresarial, tornou-se professora e pesquisadora da FATEC/Paula Souza, familiarizando-se com a problemáica da formação profissional. Em seguida fez o mestrado na PUC em Administração, com uma dissertação sobre gestão de parcerias. O seu doutorado, centrado no potencial que as parcerias representam para a educação, e em particular para a formação profissional, constitui portanto uma sequência lógica, e o seu trablho deve tornar-se uma referênia nesta área ainda pouco explorada. .
No conjunto, trata-se de explicitar uma mudança de enfoque. As instituições de ensino estão acostumadas em ter cursos nas “prateleiras”, e trabalham por oferta. Apresentam uma lista de “cursos oferecidos”. Na realidade, com a força das mudanças tecnológicas, e a consequente evolução das competências exigidas, não basta apenas atualizar a oferta, é preciso organizar uma interação regular com diversas instituições interessadas na assimilação de novos conhecimentos por parte de trabalhadores dos mais variados níveis e especializações. A construção deste ambiente interativo, que tanto beneficia as empresas contratantes como os alunos e as próprias instituições de ensino – obrigadas a romper o gesso e a repensar as próprias práticas pedagógicas – está no centro do trabalho da pesquisadora.
Assim um centro regional de formação pode complementar a sua missão “lecionadora” com uma função mais ampla de prestação de serviços científicos para os diversos agentes econômicos e sociais do território onde se encontra. Um conjunto de instituições, conectadas em rede, pode gerar sinergias onde se capitalizam tanto a variedade das experiências como as particularidades regionais ou locais. Neste sentido cada instituição pode assumir uma função irradiadora de conhecimentos na região, articulando conhecimentos disponíveis em diversas redes científicas com as necessidades particulares dos diversos agentes.
A proposta é inovadora, e vem contribuir para uma tendência que está se desenhando em diversas regiões do país. Analisando a experiência da rede Paula Souza de Formação profissional, Mariluci traz uma séria de visões práticas, explicitando o potencial das parcerias. A tese está disponível com a autora, na biblioteca da PUC-SP, ou na Pós-graduação em Administração, tel, (11) 3670.8513; veja também o site em construção www.posadmpucsp.org.br
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Célia de Oliveira Santana
As empresas que desenvolvem políticas de rsponsabilidade social Tese de doutorado em Serviço Social, defendida em 19 de junho de 2006, na PUC de são Paulo, sob orientação da profa. Dilséa Bonetti. A banca foi composta pelos professores Ana Rosa da Costa, Maria L[ucia Martinelli, Márcio Sanches e Ladislau Dowbor. Contato celiasantana@flash.tv.br
Onde encontrar: Com Célia Santana sob celiasantana@flash.tv.br ou na biblioteca da PUC-SP.
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Comentário por Ladislau Dowbor (20/06/2006):
A tese de Célia Santana é sobre rsponsabilidade social empresarial – pelo volume de pesquisas esta área está adquirindo importância e exigência crescentes – com um foco muito positivo, que é a análise comparada das políticas sociais de 8 empresas que ganharam o prêmio Ethos de responsabilidade. A imagem é sem dúvida positiva, pelo próprio critério de seleção das empresas, mas às vezes nos cansam as denúncias dos dramas, e é bom ver coisas que funcionam. As empresas analisadas são a CPFL (privatizada em 1997), a Philips, a 3M, a Serasa, a TRW, a Multibrás, a Natura e a pequena Zanzini de produção de móveis. Entrevistas bastante ricas analisam o que motiva estas empresas. Em particular, fica evidenciada a tendência de se ir além da “cosmética” destinada a melhorar a imagem através de iniciativas assistencialistas, para desenvolver políticas mais abrangentes e de mais longo prazo. A pesquisadora estuda de forma organizada os impactos das políticas empresariais relativamente aos trabalhadores, aos consumidores, aos fornecedores, aos governos, à comunidade, e aos acionistas. Portanto a visão da responsabilidade social busca as políticas diferenciadas para os diversos atores interessados. Isto leva a um capítulo interessante sobre a teoria dos stakeholders, e a outro capítulo sobre a ética empresarial. O trabalho é muito bem escrito, apresentado de forma cuidada, tornando a leitura agradável. A bibliografia é muito útil.
Naturalmente, tudo tem as suas contradições. Constatamos no trabalho da Célia que a Philips assegura um amplo leque de ações de responsabilidade social nas áreas financeira, ambiental e outros. Na sua declaração de valores, figura “encantar os consumidores”. Não resisto a mencionar a nota que vem nesta mesma semana na revista científica britânica New Scientist (3 June 2006, p. 92) sobre a Philips: “Vejam por exemplo a empresa de produtos eletrônicos Philips, que depositou um pedido de patente (US20050232612) para uma forma subreptícia de impedir os tele-espectadores de mudar de canal para não verem publicidade, ou de pular segmentos de gravação (FF)”. Frente à indignação gerada, a Philips reagiu: “Philips nunca teve a intenção de forçar os espectadores a ver anúncios contra a sua vontade, e não utliliza esta tecnologia em qualquer produto Philips, e nem temos planos de fazê-lo.”. New Scientist pergunta então: “Claro que não duvidamos disto, mas neste caso, porque gastar dinheiro para patentear o produto?”. A este respeito, ver www.newscientisttech.com/article/dn9011.html . O impacto provável é que como dona dos direitos sobre a tecnologia, a Philips venderá os direitos a outras empresas interessadas, ganhando assim ao mesmo tempo um nome limpo e, porque não, um pouco de dinheiro. Nada é perfeito. Mas a tese da Célia é ótima.
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Rosângela Bacima Quilici
O papel das empresas no desenvovimento sustentável: a gestão da responsabilidade social corporativa por meio de parcerias sociais Dissertação de mestrado em Administração na PUC de São Paulo, defendida em 6 de maio de 2006, orientação de Ladislau Dowbor, banca com os professoress Arnoldo Hoyos Guevara e Ilka Camarotti. Contato ro_bacima@hotmail.com
Onde encontrar: Com a autora sob ro_bacima@hotmail.com ou na bilbioteca da PUC-SP
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Comentário por Ladislau Dowbor (07/06/2006):
Sobre responsabilidade das empresas há um volume hoje impressionante de estudos. O trabalho de Rosângela Quilici pegou um aspecto diferente, sobre como as empresas podem dinamizar e melhorar as suas ações sociais e ambientais sem reinventar a roda, apoiando-se em parcerias com instituições que já têm experiência nestas áreas. Além de melhor produtividade das iniciativas sociais, há um resultado indireto de culturas organizacionais diferenciadas que aprendem a comunicar, a se escutar umas às outras de forma aberta. A empresa deixa de ter os “seus” pobres, para trabalhar de maneira mais ampla as necessidades de desenvolvimento das comunidades de forma integrada.
Rosângela trabalha há anos com programas sociais do Grupo Pão de Açucar, e a parte final do seu estudo apresenta uma análise de alguns projetos do grupo, avaliando a prática das parcerias, as suas dificulddes e potencial. A dissertação é muito bem escrita, a exposição e a problematização são claras e criativas.
O próprio conceito de parcerias é vital nesta área social e ambiental. Cada instituição, seja pública, empresarial ou da sociedade civil, tem de incorporar estas dimensões nas suas atividades. O tempo em que a empresa cuida do lucro, o Estado do social, os verdes do ambiental etc., está ultrapassado. Estamos construindo visões mais inteligentes, mais centradas no longo prazo, mais voltadas para a qualidade de vida e a produtividade sistêmica do conjunto dos atores sociais.
Rosângela mencionou na sua defesa a frase simples de Peter Drucker: “Não haverá empresa saudável numa sociedade doente”. Não basta uma empresa “acrescentar” às suas atividades de fins comerciais um pouco de ajuda aos necessitados. É a própria forma de desenvolver o negócio próprio da empresa, o seu “core business”, que tem de responder a critérios sociais e amientais. Nada como fazer os diversos parceiros conversar, para ultrapassar simplificações e preconceitos.
Boa leitura, vale a pena. - LD
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Daniela Rodriguez de Castro
Metas Sociais Nacionais e Federalismo no Brasil: a necessidade da integração dos sistemas de informação social Dissertação de mestrado em economia, sob orientação da profa. Anita Kon, banca com Maria de Fátima Araújo e Ladislau Dowbor, em Maio de 2006, 143 p.
Onde encontrar: Procurar com danirodriguez@terra.com.br ou na biblioteca da PUC-SP
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Comentário por Ladislau Dowbor (02/06/2006):
Todos sabemos da importância de passarmos a organizar de maneira minimamente decente os sistemas de informação pública. A dissertação de mestrado de Daniela de Castro, orientada pela profa. Anita Kon, na área de economia da PUC-SP, estuda o problema da informação sobre a qualidade das políticas sociais no país. Em particular, examina a impressionante fragilidade dos sistemas de informação dos tres níveis de governo, que ademais não se articulam.
Ainda que no plano da informação das contas públicas se constatem avanços, em particular com a necessidade de monitorar a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o fato é que não dispomos de um sistema integrado de avaliação dos resultados das políticas sociais. A pesquisadora mostra com força que no plano local, que é onde a população pode participar e influir mais diretamente nas políticas, enfrentamos uma deficiência muito grande: um sistema integrado de informação local ainda está por ser constituido.Daniela propõe que se evolua para um tipo de Lei de Responsabilidde Social, envolvendo assim as adminsitrações públicas na prestação de contas em termos de qualdiade de vida da população.
Trata-sede uma dissertação acadêmica, e é natural que haja uma ampla revisão de literatura, mas no conjunto é um trabalho de economia aplicada. Com as novas tecnologias, e a conectividade geral dos atores sociais, conectar os diferentes sistemas de informação, e organizar um ambiente rico em conhecimento é hoje simples e barato, não coloca problemas metodológicos insuperáveis,e representa uma iniciativa cuja relação custo-benefício é particularmente favorável. Da mesma forma como as empresas evoluiram para a visão do "knowledge organization", no plano da gestão pública temos de evoluir para um tipo de "knowledge territory", assegurando que os diversos agentes econômicos e sociais de um território ou município tenham as bases informativos para uma gestão sistemicamente coerente.
O trabalho é muito bem escrito, e representa uma contribuição importante para todos os que trabalhamos com a geração de sistemas de governança eficiente e de transparência. Veja também abaixo o trabalho de Marcel Pedroso, sobre tema semelhante. A bibliografia é muito boa. Recomendo - LD
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José Pascoal Vaz
Desigualdade Social e Produtividade Social no Brasil 1960-2000 Tese de Doutorado em História Econômica da USP, orientação da professora Raquel Glezer, 2005 - banca com os professores Alcindo Gonçalves, Silvia Maria Schor, Wilson Barbosa e Ladislau Dowbor
Onde encontrar: pascoalvaz@cmg.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (30/09/2005):
Avaliando indicadores - Pascoal Vaz tem uma longa trajetória que cruza tanto a grande empresa (Cosipa) como a administração pública (prefeitura de Santos, com David Capistrano), e descreveu um trabalho metodológico que ajuda muito a entender os nossos instrumentos de avaliação de políticas. O trabalho é amplo e não cabe aqui tentar resumir, apenas puxar para duas idéias que são particularmente importantes: a primeira, é que a forma de cálculo do IDH, que nos leva a uma média de qualidade de vida, é reconhecidamente deformadora, num país de extremos. Na visão de José Pascoal, além de apresentar o IDH do país, deveríamos apresentar o grau de desigualdade (o espectro de IDH por segmentos sociais) que este IDH geral representa (ver em particular a p. 185). A segunda, é o conceito de produtividade social, ou de produtividade sistêmica (ver páginas 180 e seguintes), que consiste em calcular o impacto geral de um conjunto de iniciativas, num território determinado, em termos de alocação racional de recursos. A visão de José Pascoal é fortemente centrada na necessidade de se reduzir a desigualdade, prioridade absoluta para o Brasil se desenvolver. Quem não concordaria? O estudo é tecnicamente muito bom, mas volumoso, e sugiro que o melhor procedimento para quem se interesse pelo tema seria contactar diretamente o autor, agora Doutor.
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Marco Moretto neto
Protagonismo Comunitário em Paranapiacaba Dissertação de Mestrado em Administração defendida em 28 de setembro de 2005, no IMES- São Caetano, sob orientação do Prof. Jeroen Klink
Onde encontrar: Com o autor, moretto13@uol.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (30/09/2005):
Importância do "pequeno turismo": O trabalho de Moretto é uma análise interessante de formas de se dinamizar gestão participativa, a partir do caso de Paranapiacaba, no município de Santo André. Para quem não conhece, Paranapiacaba constitui uma pequena ilha urbana, de pouco mais de mil habitantes, no alto da Serra, e foi uma base ferroviária construida ainda pelos ingleses, no tempo da São Paulo Railway, rota do Café para o porto de Santos. Com o fim da fase áurea ferroviária, a região estagnou, apesar da beleza arquitetônica, do clima especial, da mata atlântica. Com a iniciativa de Santo André, que apesar de distante é a sede municipal, Paranapiacaba foi de certa maneira reanimada, baseada desta vez no "pequeno turismo", baseado mais em pousadas e hospitalidade do que em grandes hotéis e altos preços. Neste sentido é um estudo muito interessante para a área turística de pequenos municípios. O turismo passou de 41 mil em 2002, para 154 mil em 2004, surgiram lideranças comunitárias, constituiu-se um Conselho de Representantes, houve capacitação de agentes públicos, o pouco dinheiro público entrou na lógica do orçamento participativo. É um exemplo interessante de uma comunidade que, com um pouco de ajuda e estímulo do prefeito, tomou o seu destino em suas mãos e está se desenvolvendo. O desemprego baixou de 60% para 38%, a renda média subiu de 150 para 266 reais. É pouco, sem dúvida, mas é uma demonstração eloquente de que pequenas iniciativas podem gerar novas dinâmicas. E que a sempre comentada "viabilidade" dos pequenos se constrói.
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Sérgio Perales Francisco
O protagonismo nas redes e movimentos sociais: etnografia e gestão Dissertação de mestrado em Administração na PUC de São Paulo, defendida em 9 de setembro de 2005, orientação de Ladislau Dowbor, banca com os professores Sérgio Vieira e Vico Mañas.
Onde encontrar: Com Rita, posadm@pucsp.br ou com sergioperales@uol.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (10/09/2005):
As dissertações e teses constituem em geral uma gloriosa ocasião de orientador e orientando sofrerem juntos. No caso desta dissertação, fez-me sobretudo pensar. A questão básica é: as redes sociais e a cultura apontam para outros paradigmas de gestão? Uma dissertação em administração com visão antropológica é em si interessante. No caso de Sergio Perales, além do enfoque antropológico, há um objeto interessante de estudo, que são os movimentos sociais, e uma área que coloca problemas diferentes de gestão, que é a cultura. Perales vê a cultura como instrumento de transformação social e política. Como se administra um movimento como este? A tendência é aplicarmos para uma nova geração de formatos organizacionais as técnicas da era industrial: hierarquia, gestão por resultados, coerência sistêmica assegurada pela autoridade superior e complexas correias de transmissão, ou seja, a tradicional pirâmide de autoridade.
Isto funciona para a cultura? Como assegurar eficiência sem o critério unificador do lucro? A empresa tradicional é internamente densa em organização, mas o ambiente, chamado de “mercado”, não intervém, é a chamada mão invisível. O sistema se auto-organiza mesmo com liberdade dos atores empresariais, pois o lucro buscado por todos geraria eficiência em cada um. É o paradigma tradicional. Funciona razoavelmente para computadores, tênis e cenouras.
O que acontece quando se trata de cultura, produto não comercial, portanto não gerador de lucro, no quadro de um movimento social? As empresas, quando olham este universo, têm o reflexo de “pôr ordem” no que elas vêm como caos. Mas o processo cultural é diferente.
- O ambiente da empresa é o mercado, o da organização social é o intercâmbio enriquecedor (ou problemático) entre pessoas.
- O mercado, para a empresa, permite a coerência sistêmica ao organizar um campo comum de busca de lucros. A corência sistêmica da organização social é atingida pela densidade informativa que faz com que cada elo ou núcleo de decisão tenha visão de conjunto e sentido de missão.
- O objetivo racionalizador da unidade empresarial sendo o lucro, o mecanismo correspondente é a competição. Uma empresa lucrativa é chamada de competitiva. A organização que busca o bem-estar social tem como mecanismo racionalizador a colaboração organizada. O paradigma é o win-win, a soma positiva.
- A forma organizacional adotada num caso é a hierarquia empresarial de isntruções, no outro é a rede horizontal interativa.
- Internamente, a empresa tradicional constrói a eficiência através de mecanismos de controle. No caso da organização social, onde as pessoas são motivadas não indiretamente (salário, participação nos lucros) mas pelo objetivo social, o controle é substituido pelo ambiente de confiança. Não é à toa que autores tradicionais como Peter Drucker, ao evoluirem para organizações sem fins lucrativos, se referem constantemente à confiança como uma capital importante da nova organização.
- Na empresa o gosto que motiva está ligado à execuação eficiente em função do objetivo a conseguir, contabilizam-se os minutos e os segundos. No movimento social, o gosto está na criatividade que acompanha a realização, e no sentimento de contribuição para a sociedade.
Uma rede social que promove atividades culturais obedece na realidade a um outro paradigma de gestão. É interessante que a diferenciação do processo aparece quando num mestrado em administração, realiza-se uma estudo sobre a área da cultura, numa forma de organização diferente que é o movimento social, e num enfoque antropológico, que parte do seguimento de como as pessoas se sentem no processo, como elas se vêm na atividade.
Grande parte dos conselhos que recebemos, quando nos defrontamos com problemas de organização do terceiro setor, ou de gestão social, é que devemos aplicar o just-in-time, obrigar as pessoas a preencher planilhas de controle de resultados, fixar objetivos proxy do lucro e assim por diante. Eu gosto sempre de lembrar o exemplo da Pastoral da Criança, uma rede de 240 mil voluntários articulada por uma estrutura extremamente leve (62 pessoas assalariadas), com grande densidade informativa, e uma competitividade em termos de utilidade social que dá de dez a zero em qualquer empresa tradicional de saúde. Coisas diferentes se gerem de maneira diferente.
Para dar uma olhada na dissertação do Sérgio Perales, contacte a Rita em posadm@pucsp.br
(Ladislau Dowbor, setembro de 2005)
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Alexandre Hojda
Gestão da Política de Recursos Hídricos: o papel da Agência da Bacia do Alto Tietê 2002-2004 Dissertação de mestrado em Economia Política na Puc de São Paulo, sob orientação de Ladislau Dowbor, defendida em maio de 2005
Onde encontrar: alexhojda@pop.com.br ou na biblioteca da PUC-SP
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Comentário por Ladislau Dowbor (04/09/2005):
A Agência da Bacia do Alto Tietê tem pouco tempo de vida para ser analisada de maneira responsável, mas é interessante um programa de pós-graduação em economia se debruçar sobre a gestão de um bem essencial, a água, e que tem de ser compartilhado por atores extremamente assimétricos, exigindo formas inovadoras de gestão. O que cada usuário faz com a água impacta inúmeros outros usuários, seja no caso de um agricultor que aplica agrotóxicos, uma empresa que joga resíduos no rio, ou uma comunidade que ocupa um manancial. Na falta de pactuações que asssegurem um uso racional da água e a sua proteção, todos acabamos pagando muito mais caro sob forma de ações corretivas, de hospitalizações, de dias de trabalho perdidos. O embate tradicional está centrado nas alternativas entre controle estatal ou privado. No caso da água, os interesses são demasiado diversificados para que baste editar leis, e o recurso demasiado essencial para ser esbanjado por interesses privados. A gestão da água envolve um outro paradigma de gestão, nos obriga a inovar.
Este trabalho mostra a complexidade de um processo decisório que exige que os diferentes atores sociais aprendam a colaborar. Participaram da banca os professores Pedro Jacobi e Helena Sobral.
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Cassia maria Carraco Palos
Vozes da Cartera: representações, sentidos, significados e práticas da questão socioambiental no cenário urbano O trabalho de Cássia é uma tese de doutorado em Saúde Pública da USP, defendida em dezembro de 2004.
Onde encontrar: Biblioteca da Faculdade de Saúde Pública da USP
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Comentário por Ladislau Dowbor (04/09/2005):
O trabalho da Cássia, orientado pela professora Fabíola Zioni, permite um olhar aprofundado sobre estratégias de sobrevivência de uma comunidade pobre num mundo imenso e caótico como é a cidade de São Paulo. Os pobres da cidade podem ser muitos, mas não são um amontoado de pobres: a sua luta pela sobrevivência na cidade tem história, são articulados na defesa dos seus interesses, batalham de forma organizada contra ameaças e pressões, construiram a sua identidade. A "Cratera", pequena região que constitui literalmente uma cratera na zona sul de São Paulo, possui forte identidade, e o histórico bem organizado das suas formas de sobrevivência, a batalha pelo saneamento, a busca de alternativas de geração de renda, adquire nesta abordagem histórica, que conta simplesmente o "caso como o caso foi", um grande interesse. A visão tradicional é de que a população invade áreas de mananciais e não tem consciência dos danos causados. Neste caso, quem joga esgoto a céu aberto é o Estado, através do presídio construído na região, e é a população que limpa. Organizaram a sua rádio comunitária para organizar as ações ambientais e de desenvolvimento. Quem é ilegal nesta história? Um trabalho como este merece ser lido, pois mostra uma vez mais que os programas de apoio têm de partir da própria organização dos moradores, respeitar as suas complexidades, negociar com as lideranças reais.
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Deivis Perez Bispo dos Santos
Formação de Educadores para o Terceiro Setor Deivis Perez Bispo dos Santos – Formação de Educadores para o Terceiro Setor – Dissertação de Mestrado no mestrado em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Mackenzie, Setembro de 2004, 177 p. – orientação do prof. Marcos masetto, banca profa. Elsa Garrido e prof. Ladislau Dowbor – dissertação disponível em deivis@sp.senac.br
Onde encontrar: Biblioteca do Mackenzie, ou com o autor deivissantos@sp.senac.com
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Comentário por Ladislau Dowbor (13/09/2004):
Partindo de uma análise em profundidade do curso do Senac “Formação de Formadores para o Terceiro Setor”, Deivis fez ao mesmo tempo uma avaliação deste esforço de uma pedagogia para a participação, cada vez mais necessária, e uma sistematização muito útil das próprias noções sobre o terceiro setor. A pedagogia é analisada segundo os grandes eixos de competências, em particular a construção da cidadania, a preparação para o trabalho, a articulação de atores sociais, e o uso das tecnologias de comunicação e informação, no quadro de um referencial teórico centrado em Paulo Freire e Vygotski. Sobre o terceiro setor, o autor analisa de forma bem organizada as visões dos teóricos norte-americanos, as visões críticas que vêem no terceiro setor uma desresponsabilização do Estado, as visões de economia solidária, e as visões que articulam o terceiro setor com as experiências de desenvolvimento local integrado. No conjunto, é um excelente trabalho que nos ajuda nesta questão que nos desafia a todos: como formar pessoas para este universo extremamente divirsificado que é a sociedade civil organizada. E tem mais, como o terceiro setor só tem sentido ao gerar participação e protagonismo, uma educação nesta área poderia constituir uma porta de entrada para inovações pedagógicas de grande interesse. Quem já deu aula para organizações comunitárias e da sociedade civil em geral, sabe que os educandos alí são tudo menos receptores passivos de conhecimentos
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Marcelo Traldi Fonseca
Para onde vai o nosso tempo? Estudo exploratório sobre a utilização do tempo livre Dissertação de mestrado em Administração, PUC-SP, Abril2004, 192 p. – Orientação prof. Ladislau Dowbor – dissertação disponível em posadm@pucsp.br ou com o autor (11) 9129.2019 e mtfonsec@unimep.br
Onde encontrar: posadm@pucsp.br ou com o autor (11) 9129.2019 e mtfonsec@unimep.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (06/05/2004):
O tempo é o nosso recurso mais precioso, e não é renovável. É o tempo da nossa vida. É amplamente desperdiçado, vendo programas duvidosos na TV, esperando um ônibus, esperando o sinal abrir, atendendo alguém que quer nos vender alguma coisa, mas também jantando com amigos, lendo um bom livro, olhando o pôr do sol. Em diversos países há ótimos estudos sobre como utilizamos o nosso tempo, e no Brasil praticamente não existem. Trata-se de um assunto de imensa importância, e esquecido. Marcelo resgata esta dívida, fazendo um estudo exploratório – uma pre-pesquisa com 10 pessoas da classe média – visando identificar metodologias e problemas de uma pesquisa mais ampla sobre o uso do tempo. Excelente leitura, bem documentada, leve e agradável. Além de levantar o véu, ainda que de maneira muito preliminar, sobre coisas tão curiosas que podemos descobrir: na amostra, as pessoas dedicam aos seus filhos a totalidade de 1% do seu tempo. Somos tão ocupados...
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Arlindo Manuel Esteves Rodrigues
Comércio Eletrônico para Pequenos e Microexportadores Brasileiros Dissertação de Mestrado em Administração na PUC-SP, orientada por Arnoldo Hoyos, defesa com Maria Carolina de Souza e Ladislau Dowbor
Defendida em agosto de 2003
Onde encontrar: Disponível na biblioteca da PUC-SP ou com o autor arlindo.rodrigues@itau.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (04/09/2003):
O estudo de Arlindo foca a grande dificuldade das pequenas empresas em se relacionarem de maneira eficaz com o mercado internacional. Por trás da uma ampla retórica de promoção das exportações, existe uma realidade burocrática que mantém o acesso real aos mecanismos de exportação no círculo das grandes empresas que podem se dar ao luxo de contar com uma bateria de advogados e despachantes. O resultado é que as atividades exportadoras são extremamente concentradas: segundo a Funcex, 1% das exportadoras responde por 67% das vendas externas do país em valores (ESP 09-06-03: B5).
Arlindo fez um estudo muito sistemático do universo de procedimentos burocráticos, das tentativas de simplificação dos procedimentos (Apex, Exporte-fácil etc.) e dos resultados. A pesquisa, neste sentido, é um excelente instrumento de consulta sobre a quantas andamos em termos de promoção de exportações da pequena e micro-empresa.
O ponto seguinte do autor, é um estudo em profundidade sobre como a conectividade da internet e outros abrem perspectivas para o pequeno produtor. Ao realizar entrevistas com diversos empresários e atores da área, Arlindo deixa claro como os próprios empresários se sentem frente aos novos mecanismos, e quais seriam os ajustes necessários.
Na realidade, não se trata apenas de problemas de burocracia estatal, mas de um sistema de pedágios colocados por diversos atravessadores do sistema, que envolvem desde as tarifas dos bancos até o cachê do capitão do navio onde a mercadoria é embarcada. É um processo onde despachantes burocráticos, intermediários financeiros e grandes empresas interessadas em manter o monopólio terminam por asfixiar os mecanismos de mercado.
Afinal, criar um ambiente ágil de trocas entre pequenos produtores, entre micro-empresas familiares e consumidores, entre cidades com tradições diferentes, também faz parte da construção de sistemas mais democráticos. Estamos na era do comércio justo, do comércio cidadão, de tantas inovações. Arlindo organizou, em anexo, um excelente índice de bancos de dados sobre formas mais horizontais e democráticas de comércio, organizações de apoio etc.
A visão geral é a necessidade de se "desintermediar" este processo, já que o comércio eletrônico permite contatos muito mais ágeis entre produtor e comprador, ou até com o consumidor final.
Trata-se de um aporte muito significativo, bem documentado, de fácil consulta. Foi recomendada a elaboração de uma versão mais enxuta para publicação. Boa leitura.
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Márcia de Paula Leite
Trabalho e Sociedade em Transformação Tese de Livre Docência defendida por Márcia Leite na Unicamp, em 2002, no prelo na editora Fundação Perseu Abramo
Onde encontrar: mpleite@uol.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (23/08/2003):
Este livro enfrenta de maneira direta os dilemas de organização social e de relações de produção que colocam as novas dinâmicas produtivas. São incontáveis os livros que anunciam o fim do emprego, ou a era do ócio, a sociedade do conhecimento, ou ainda a sociedade em rede. Um outro conjunto de trabalhos nos traz a visão das transformações dentro da empresa, com qualidade total, redução do leque hierárquico, visões simpáticas como a knowledge organization ou tétricas como a lean and mean organization.
O livro de Márcia Leite vem ocupar um relativo vazio entre as grandes visões de transformação social e as análises excessivamente focadas no microcosmo empresarial. Partindo das mudanças sociais, navega pelas transformações dos processos produtivos, e analisa o impacto concreto de reorganização social que os novos processos de trabalho geram, desembocando em formas concretas e inovadoras de regulação social como as que foram desenvolvidas no Grande ABC, na periferia industrial de São Paulo.
O século XX foi o século das grandes simplificações: as alternativas eram a estatização, com planejamento central e uma classe social redentora, ou a privatização, com o vale tudo do mercado e outra classe redentora. O mundo realmente existente está evoluindo por novos caminhos, mais complexos e diversificados.
Márcia trilha este caminho de maneira simples e transparente: a técnicas têm de estar a serviço da humanidade; a economia tem de se voltar para as necessidades sociais; a ética precisa ser reintroduzida nas atividades econômicas; a sobrevivência do sistema não é compatível com o vale-tudo do mercado, a sobrevivência do mais apto. Darwin é ótimo, mas nós não somos macacos.
Ao analisar o caso concreto da indústria automobilística no Grande ABC, e das formas inovadoras de articulação dos processos produtivos com os mecanismos de regulação social local, através do que tem se chamado de “novas institucionalidades”, ou de “novos arranjos sociais”, a autora aponta para um horizonte onde finalmente estaremos ultrapassando a absurda dicotomia entre os interesses econômicos e os interesses sociais.
O trabalho resgata também o imenso legado, em termos de formas inovadoras de articulação de interesses empresariais, sociais e ambientais, que nos deixou Celso Daniel. Neste sentido, o que se traça aqui, é sem dúvida a utopia de uma sociedade que funcione, e que seja mais humana, mas baseada em experiências concretas que constroem novos caminhos.
Aguardamos a saída do livro pela Fundaçã Perseu Abramo, é uma bela leitura..
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Janette Brunstein
ONGs e Educaçãoi: novas possibilidades Educativas? Tese de Doutorado na Faculdade de Educação da USP, defendida em Agosto de 2003, e orientada por Lúcia Bruno, 235 p.
Onde encontrar: Disponível na Biblioteca da Faculdade de Educação da USP, ou com a autora, e-mail janette9@bol.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (20/08/2003):
Janette cruza quatro personagens: a escola, as atividades complementares (esporte, arte, cultura etc.), ONGs organizadoras de experiências inovadoras de educação (Cenpec, Abrinq), e ONGs que implementam programas inovadores como o projeto Aprendiz ou o projeto Ação Educativa. O resultado é extremamente interessante, pois nos leva diretamente ao cerne da imensa dificuldade do universo escolar em se transformar, em inovar nos processos educativos, em se vincular efetivamente com as comunidades.
O pano de fundo são as imensas transformações na área das tecnologias da informação, a sociedade do conhecimento que emerge, os novos processos produtivos, enfim, uma revolução frente à qual todos os educadores comentam que "precisamos mudar", e no entanto no essencial tudo segue igual.
As ONGs aparecem aqui, de forma muito interessante, como uma alavanca externa que ajuda o universo escolar a repensar os seus caminhos. As atividades envolvem tanto a aprendizagem do uso das novas tecnologias, como a inserção comunitária, a flexibilização de curriculos e assim por diante. É muito interessante como organizações da sociedade civil, menos controladas por leis asfixiantes, mais ágeis na inovação, com mais liberdade de ação, podem ajudar as escolas a encontrar este fermento externo que ajuda a mudar internamente.
As atividades complementares podem ser vistas, neste sentido, como cavalos de Tróia, e no melhor sentido: ao organizar atividades mais diversificadas, ao interagir com as comunidades vizinhas da escola, ao envolver pais, empresas, crianças de rua - enfim, os espaços sociais locais - abrem as possibilidadss de repensar as próprias rotinas e conteúdos escolares.
A tese foi considerada excelente pela banca, que recomendou a sua publicação. Aliás, a banca incluiu um leque diferenciado de áreas científicas como um economista (Ladislau Dowbor), um pesquisador do Terceiro Setor (Luis Carlos Merege), um sociólogo polivalente como Pedro Jacobi, um matemático como Nilson Machado. E evidentemene a profa. Lúcia Bruno, que deve ter-se divertido abrindo novos caminhos com a sua orientanda. Se divirta também, vale a pena a leitura.
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Manoel Victor Gomes Figueiredo
A Descentralização e seus impactos sobre a gestão das finanças municipais - o caso de Mauá - Dissertação de Mestrado em Administração da PUC-SP, orientada pelo prof. Luciano Junqueira, defendida em Maio de 2003, 97 p.
Onde encontrar: O trabalho está disponível naBiblioteca da PUC-SP, ou no Programa de Pós-Graduação em Administração da PUC-SP, tel. (11) 3670.8513 ou posadm@pucsp.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (28/05/2003):
A constituição de 1988 descentralizou em parte o bolo de recursos públicos, permitindo que hoje a participação dos municípios seja da ordem de 15%. Numa sociedade urbanizada como a brasileira (81% de população urbana), isto é muito pouco. É importante lembrar que nos países desenvolvidos o Estado gere uma proporção muito maior do PIB, 50% segundo os dados do Banco Mundial, enquanto nos países em desenvolvimento a cifra seria algo como 25%. do Pib. No Brasil, devemos estar em torno de 35%. Mas os países mais ricos, que se urbanizaram muito antes de nós, atribuem aos municípios uma proporção muito maior do bolo, entre 40% e 60%: ou seja, o Estado está muito mais perto do cidadão, e o gasto muito mais controlável.
Ainda assim, o pouco que se descentralizou de recursos públicos no Brasil é objeto de duras disputas, com tentativas de recentralização, e muita confusão sobre a descentralização dos encargos e a descentralização dos próprios recursos. Na realidade, a nova constituição gerou um reajuste parcial do pacto federativo, que exigiu, durante a década passada, muitas pequenas negociações em torno de quem faz o que, e com que dinheiro.
Manoel Victor faz esta análise ao estudar, através do exemplo de Mauá, cidade de 360 mil habitantes, como a administração municipal foi se reorganizando frente às novas exigências, envolvendo tanto a constituição como a lei de responsabilidade fiscal, e a maior transparência da gestão dos recursos públicos.permitida pelo fim da inflação galopante.
O resultado é um estudo muito cuidado, tecnicamente muito bem montado, bem escrito, e muito informativo no seu pequeno volume. Não enrola, vai direto ao ponto, e nos fornece um instrumento muito útil de gestão financeira municipal. Uma bilbiografia muito focada no tema principal também ajuda bastante. Para gestores financeiros de municípios, e pesquisadores da área, trata-se de um aporte muito significativo. Como é bem escrito, lê-se com prazer, não só por dever.
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Paulo Rogério Lima
Responsabilidade Social: a experiência do selo Empresa Cidadã na cidade de São Paulo - dissertação de mestrado em Administração, na Puc-sp, sob orientação de Aldaiza Sposati, 2002, 238 p.
Onde encontrar: O trabalho pode ser encontrado na biblioteca da PUC-SP, no programa de estudos pós-graduados em administração da PUC-SP (11) 3670.8513, ou com o autor paulorogeriosp@msn.com
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Comentário por Ladislau Dowbor (28/05/2003):
A responsabilidade social das empresas, a responsabilidade ambiental, a governança corporativa, a ética empresarial - são temas que hoje encontramos por toda parte. E há boas razões para isto.
Nas grandes empresas, há uma autêntica diluição de responsabilidades. Antigamente, uma empresa familiar ainda podia querer zelar pelo seu nome, e evitar certas indecências. Hoje, o que interessa é a taxa de retorno para o acionista, que em geral nem sabe onde o seu dinheiro está aplicado, pois passa por investidores institucionais que fazem a intermediação. O resultado são as Enron (1800 empresas fictícias sustentavam as fraudes no momento da quebra), Worldcom, Xerox, CityGroup, Bayer, Monsanto e tantas outras onde impera o vale-tudo por dinheiro, quando não o gangsterismo como no caso da indústria do tabaco.
No caso brasileiro, o comportamento cartelizado dos grandes bancos (juros de 60% para empresas, de 100% para pessoas físicas, de 180% para cheque especial), das empreiteiras e de tantos outros grupos econômicos não fica atrás. No conjunto, somos colocados frente a um dilema claro: vale tudo, conquanto não seja contra a lei?
Esta atitude leva simplesmente a uma corrida entre advogados empresariais que buscam detectar furos na lei, e legisladores que inventam novas leis. O resultado é um sistema que se torna cada vez mais engessado. E a alternativa é, obviamente, uma maior responsabilidade das próprias empresas.
Hoje temos no Brasil um movimento incipiente mas vigoroso destinado as atividades empresariais mais amigáveis para a sociedade, mais decentes no comportamento. Organizações como Ethos, Gife e outras já permitem articular estes esforços de uma parte do empresariado que busca construir uma nova cultura.
Um dos problemas práticos é que o comportamento de uma empresa que, por exemplo, joga os seus resíduos no rio, pode ser mais rentável no curto prazo do que o de ume empresa que instala filtros. A primeira externaliza os custos para a sociedade, que terá de pagar, via impostos, a recuperação da água poluida. A segunda assume estes custos. Uma das formas de se recompensar o comportamento responsável, consiste em dar visibilidade a este tipo de esforço, orientando inclusive o comportamento do consumidor.
O trabalho de Paulo Rogério Lima estuda uma das formas de gerar esta visibilidade, através do Selo Empresa Cidadã, da mesma forma como há o selo Abrinq para empresas que respeitam crianças, ou o Selo Verde para comportamento responsável na área ambiental, e outros.
Em si o tema é muito relevante. Mas a qualidade principal do trabalho de Paulo Rogério consiste numa excelente sistematização da discussão a respeito da responsabilidade social e ambiental das empresas, que o tornam uma leitura importante tanto para a academia como para o mundo empresarial e as ONGs que buscam dinamizar as novas tendências. O trabalho foi publicado pela EDUC, da PUC-SP, em 2005, com um prefácio de Ladislau Dowbor.
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Veronika Paulics
Disseminação do Programa de Garantia de Renda Mínima no Brasil (1991-1997) - Dissertação de Mestrado em Administração Pública e Governo da FGV/EAESP, sob orientação da profa. Marta Farah, maio de 2003
Onde encontrar: O trabalho está disponível na biblioteca da FGV-SP e com a autora, no Instituto Pólis (11) 3258.6121 ou veronika@polis.org.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (28/05/2003):
O Senador Eduardo Suplicy impressiona sempre porque parece ser ao mesmo tempo muito lento e muito eficiente. Não é este o objeto do estudo de Veronika Paulics, do Pólis, e sim o processo sistemático de construção do apoio político a uma idéia da maior importância para o Brasil, e também para o planeta, que é a garantia de renda mínima.
Em termos substantivos, a idéia é clara. Por um lado, algumas coisas não devem faltar a ninguém, e não somos bichos para deixar crianças morrer de fome e depois explicar que se trata de mecanismos de mercado. É uma questão de elementar decência humana. Este é o argumento ético. No plano econômico, a simples realidade é que custa muito mais barato tirar as pessoas da miséria, do que fazer a sociedade arcar com o conjunto de custos ndiretos que a miséria gera, desde gastos com hospitais até os de segurança. E no plano de resultados, uma vida sem conflitos sociais, com paz nas ruas, e a tranquilidade de poder colocar um banquinho na rua, ou de namorar no parque, são essenciais. A situação atual, em que os pobres não dormem porque estão na miséria, e os ricos porque têm medo, é simplesmente burra.
Trata-se, portanto, de bom senso. Keynes, ao escrever em 1930 uma carta para os seus futuros netos , esperava que ao chegar a vez deles, "o amor do dinheiro como posse - diferentemente do gosto do dinheiro como um meio para o prazer e as realidades da vida - será reconhecido pelo que é, uma morbidez um pouco nojenta, uma destas propensões semi-criminais, semi-patológicas que se deve entregar com um certo tremor aos especialistas de doenças mentais". Assim falava Keynes. Como convencer este tipo de gente, de que "algumas coisas não devem faltar a ninguém"?
Ao retraçar a paciente e persistente luta do Senador, Veronika nos traz os mecanismos diversificados de persuasão, tendo como centro um processo sistemático de convencimento dos adversários de que se trata, afinal, do seu próprio interesse. E aparece com clareza este delicado balê das chamadas elites brasileiras, de quererem aparecer como amigas dos pobres, ao mesmo tempo que adotam medidas que concentram mais renda em suas mãos.
O trabalho tem algumas partes teóricas um pouco menos fluidas para a leitura, mas no conjunto o estilo é narrativo, e o trabalho é bem montado. Veronika adota a visão simpática de Suplicy, segundo o qual "quem busca a felicidade do povo tem um sentido na vida", e traz mais um tijolinho para a construção de uma sociedade mais justa, luta que é de todos nós.
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Marcel de Moraes Pedroso
Desenvolvimento Humano no Município de São Paulo (2000) - Uma cartografia socieoeconômica como contribuição ao planejamento de políticas públicas Dissertação de mestrado em Economia Polítrica, na PUC-SP, defendida em Abril de 2003, sob orientação do prof. Ladislau Dowbor
Onde encontrar: O trabalho pode ser encontrado na Biblioteca da PUC-SP, ou com o autor marcelpedroso@yahoo.com ; como o trabalho está igualmente disponível em CD, este será disponibilizado em : http://www.centrodametropole.org.br/pdf/IDH-M_marcel_pedroso.pdf
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Comentário por Ladislau Dowbor (30/04/2003):
Marcel Pedroso realizou uma aplicação da metodologia dos Indicadores do Desenvolvimento Humano (IDH) ao município de São Paulo. O resultado é extremamente interessante, pois como os dados do Censo do IBGE, que serviram de base para a análise, existem de forma detalhada para os 12.287 setores censitários da cidade, obtem-se uma visão extremamente diversificada, com as ilhas de prosperidade no meio da pobreza, e vice-versa. No conjunto, trata-se de um excelente instrumento para planejamento detalhado de ações dentro da cidade, em cada sub-prefeitura, ou distrito administrativo.
Trata-se de um passo importante na construção ainda muito lenta de um sistema integrado de informações para a gestão local, tema que temos trabalhado nestes últimos anos. A visão de Marcel é neste plano muito clara: "Parece claro que políticas descentralizadas exigem informações descentralizadas, capazes de diferenciar no interior das sub-prefeituras populações com características socio-econômicas heterogêneas ou, em outra direção, estabelecer agrupamentos homogêneos para políticas e ações com enfoques semelhantes".
O Brasil descentralizou em parte as suas políticas sociais, mas o sistema de informações ainda continua dramaticamente centralizado. E a participação das populações nas políticas depende de uma informação detalhada sobre a sua própria realidade, Neste sentido a construção de instrumentos como este de Marcel Pedroso, ou o Mapa da Exclusão Social coordenado por Aldaiza Sposati, os trabalhos da Fundação João Pinheiro e do IPEA sobre condições de vida em municípios mineiros, os trabalhos do Pólis sobre informação gerencial para municípios, do IBAM/ISER/IDEH sobre indicadores ambientais urbanos, fazem parte de um esforço um tanto disperso nas iniciativas, mas convergente nos resultados, visando construir um sistema de informações sociais efetivamente apropriáveis pela sociedade civil, no nível das iniciativas sociais paraticipativas. A informação é um poderoso instrumento de democracia, quando efetivamente descentralizada e disponibilizada.
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Hélio Cesar da Silva
A Construção do Marketing na Era da Comunicação Tese de Doutorado em Comunicação, PUC-SP, defendida em fevereiro de 2003, e orientada pelo prof. José Luiz Aidar Prado, 234 p.
Onde encontrar: helios@sti.com.br ou (11)3083.2934 e biblioteca da PUC-SP
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Comentário por Ladislau Dowbor (24/04/2003):
A área do marketing se agigantou, consumindo algo como 450 bilhões de dólares no mundo. De uma vocação inicial de informação sobre o produto, facilitando a nossa escolha, passou a comandar o processo de consumo, martelando imagens na TV, cobrindo as cidades de outd-doors, enchendo os nossos computadores de lixo, e tudo isto com o nosso dinheiro. Já era tempo que se fizesse uma boa pesquisa sobre esta comercialização da cultura. O marketing é importante, mas tem de voltar a ser útil em termos econômicos e sociais. Hélio Silva é administrador, conhece a área, e realiza uma pesquisa aprofundada sobre esta crescente deformação que o marketing tem sofrido. Esta visão é hoje particularmente importante, pois as novas tecnologias nos tornam praticamente indefesos frente a esta invasão que já pode ser caracterizada como assédio comercial. Como temos pouquíssimos trabalhos sérios e críticos sobre o marketing, este aporte de Hélio Silva é valioso, até para que professores da área tenham um pouco de leituras alternativas a oferecer aos seus alunos.
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Ivani Aparecida Sciencia Freitas
Responsabilidade social das empresas: a contribuição das associações empresariais. Dissertação de Mestrado defendida em novembro de 2001, na pós-graduação em Administração da Universidade Metodista de São Paulo, 201 p. Orientação prof. Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Tel.(11) 4361-7077 R. 280 ou 6962-0643
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Comentário por Ladislau Dowbor (19/12/2002):
Peter Drucker, que já anda bem velhinho e mais sábio, definiu a situação numa frase simples: "Não haverá empresas saudáveis numa sociedade doente". Para muitas pessoas, a responsabilidade social e ambiental das empresas constitui um verniz chique para quem na realidade só se interessa por dinheiro. Hoje, não se trata apenas de ser bondoso, mas de entender que tornou-se essencial, além de organizar bem a empresa, assegurar também que ela contribua para uma sociedade que funcione. Trata-se da produtividade social. É lamentável a imagem de uma empresa que utiliza as mais modernas tecnologias de gestão, e acaba por gastar rios de dinheiro com jagunços para se proteger do mar de miséria que a cerca. Um número crescente de mpresários de cabeça aberta entendeu que a visão tem de ser mais ampla, a ponto de se constituirem associações de empresários que buscam a responsabilidade social e ambiental. Ivani estudou estas várias associações, como Ethos, PNBE e outras, mostrando a sua estrutura, trajetáoria, tendências e perspectivas. O tema é essencial, e o trabalho de Ivani constitui um excelente instrumento de trabalho.
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Luiz Silvério Silva
Gestão de recursos humanos na administração pública: a qualidade da gestão de recursos humanos na prefeitura do município de São Bernardo do Campo na década de 80 Dissertação de mestrado em Administração na Universidade Metodista de São Paulo, junho 2002, 145 p., orientador prof. Ladislau Dowbor
Onde encontrar: luizsilverio@uol.com.br ou silverio@metodista.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (19/12/2002):
Na Suécia um trabalhador em cada quatro é funcionário público municipal: descobriram uma coisa óbvia, de que quanto mais perto do cidadão, mais a política responde adequadamente ao que o cidadão exige. No Brasil, ainda estamos longe: o município gere apenas 15% dos recursos públicos do país (incluindo transferências), quando nos países desenvolvidos são entre 40 e 60%. O país se urbanizou, mas continuamos com recursos públicos centralizados como nos tempos em que só existiam técnicos nas capitais. E o argumento que se ouve em Brasilia, justificando a centralização, é de que os municípios não têm capacidade administrativa. Isto está mudando com rapidez, e os municípios no país está se modernizando, informatizando, organizando. Silvério aborda um dos aspectos deste processo, que é o investimento que uma administração municipal - no caso a de São Bernardo do Campo - faz com os seus funcionários. Trata-se de um aporte singificativo numa área onde temos muito por avançar. Sugere-se cruzar a leitura desta dissertação com a leitura de outras experiências de modernização da gestão municipal (neste site, na página inicial, clique em "Gestaolocal" em baixo à esquerda do vídeo).
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Mariluci Alves Martino
O Mundo do Trabalho e a Formação Profissional: A difícil adequação Dissertação de Mestrado na Pós-Graduação em Administração da PUC-SP, defendida em março de 2001, 145 p. Orientação do prof. Ladislau Dowbor
Onde encontrar: posadm@pucsp.br ou mariluam@uol.com.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (15/12/2002):
Todos sabemos que o conteúdo do trabalho está mudando rapidamente, com as novas tecnologias, formas inovadoras de organização, e uma densidade maior de conhecimentos. Estas mudanças exigem dos trabalhadores, pelo menos no segmento que se transforma - não podemos esquecer que a maior parte das atividades continua sendo muito tradicional - novos conhecimentos, atitudes, podemos até dizer uma nova cultura do trabalho. Nas instituições de formação profissional, a consciência desta mudança existe, mas a rigidez instucional é grande. Mariluci trabalha a visão de um sistema de parcerias que permita que instituições de formação, as empresas e os trabalhadores possam gerenciar o processo permanente de mudança. São as chamadas novas arquiteturas organizacionais. Uma excelente leitura.
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Lilia Martins
Gestão Pública e Democrática: um caminho em construção Tese de Doutorado em Ciências Sociais na PUC-SP, dezembro de 2000, 232 p., orientador Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Disponível em lamartin@unimep.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (09/12/2002):
Lilia Martins, professora da Metodista de Piracicaba, depois de escrever uma excelente dissertação de mestrado sobre a gestão participativa no município de Piracicaba, centrou a sua tese de doutorado na análise de 1653 experiências inovadoras de gestão local, fazendo um exercício metodológico de classificação por tamanho de município, por setor de atividade, por público-alvo, por tipo de atores socais envolidos e assim por diante. O denominador comum que resulta não é sofiscticado, mas de grande importância prática: as experiências que dão certo são quase sempre as que recorrem a parcerias, a novas arquiteturas organizacionais, construindo sinergias entre diversos atores interessados.
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Luciano Sathler Rosa Guimarães
Gestão de Fluxos de Comunicação em Organizações do Terceiros Setor: estudo de caso da Pastoral da Criança Dissertação de mestrado em Administração, Umesp, setembro de 2002, 166 p. + volume de anexos - Orientação de Ladislau Dowbor
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Comentário por Ladislau Dowbor (09/12/2002):
As pessoas têm frequentemente uma visão simplificada das ONGs. A Pastorial da Criança é um organismo com núcleo pequeno, de 62 profissionais, que coordena as atividades de 135 mil voluntárias, que por sua vez atendem milhões de crianças. É quase, digamos assim, uma General Motors da área social, com impacto distribuido em mais de tres mil municípios. Independentemente do imenso impacto sobre as condições das crianças, trata-se de uma organização que funciona em rede, de forma extremamente descentralizada, onde a coerência do conjunto não é assegurada nem por lei nem por ordens do conselho de administração, mas por uma extrema riqueza de informações, que circulam entre todos. A informação aparece aqui como instrumento fundamental de articulação de um sistema flexível e desburocratizado, pois cada voluntário tem suficiente visão de conjunto para contribuir de sua própria iniciativa para o todo. Luciano Sathler debruçou-se justamente sobre a forma de organização da informação e da comunicação neste rico universo. O resultado é muito instrutivo, e nos ajuda a entender que podemos desenvolver atividades extremamente produtivas, fortemente motivadas, e muito articuladas, sem necessariamente recorrer à obsessão pelo lucro ou aos controles burocráticos que tanto desmotivam as pessoas nas grandes empresas. Trata-se aqui de aplicar a pesquisa sobre formas de gestão a um universo novo, o Terceiro Setor, que se expande rapidamente. É uma ótima leitura, bom proveito.
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Sérgio Roschel
Microcrédito no Brasil: exame de experiências selecionadas Dissertação de mestrado em Administração na UMESP, agosto de 2002, 229 p. – Orientação de Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Dissertação disponível em sroschel@metodista.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (09/12/2002):
A intermediação financeira no Brasil constitui essencialmente um processo social de extorsão. Enquanto nos sistemas de intermediação no mundo as taxas de juros estão na faixa de 2-3% ao ano, no Brasil o governo paga aos bancos 22% (com os nossos impostos, transferidos indiretamente aos bancos), o capital de giro empresarial é cobrado a 30%, o juro para pessoa física atinge mais de 70%, o custo da intermediação financeira (com juros de empréstimos, cartão, cheque especial, compras a prazo) come entre 20 e 30% da renda familiar (os dados detalhados estão no artigo Especulação Financeira e Atividades Produtivas, nesta página, em “Artigos Online”). Como os juros extorsivos paralisam a economia, estão se organizando por toda parte formas alternativas das pessoas protegerem as suas poupanças, e financiarem as suas atividades. Sérgio Roschel faz o “ponto da situação”, analisando experiências de microcrédito em diversos países, e particularmente no Brasil, focando os problemas práticas da organização do sistema, do que chama de “construção da institucionalidade” do microcrédito. Trata-se de uma ótima sistematização, um bom instrumento de trabalho para quem pesquisa ou trabalha com microcrédito.
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Elaine Leite de Lima
O processo de apropriação das tecnologias da informação e comunicação pela escola pública de São Paulo Dissertação de mestrado em Adnministração, PUC-SP, Dezembro de 2002, 188 p. – Orientação prof. Ladislau Dowbor
Onde encontrar: Dissertação disponível em posadm@pucsp.br ou elima@fde.sp.gov.br
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Comentário por Ladislau Dowbor (06/12/2002):
Elaine, que trabalha na Secretaria da Educação do Estado de s. Paulo, analisa como a informática “chega” na escola, e apresenta as reações diferenciadas dos professores, dos alunos, do diretor, da comunidade. O resultado é uma visão extremamente realista das dificuldades e do potencial pedagógico. A base da pesquisa é constituida por três escolas: uma experiênia de sucesso, com efetiva apropriação das tecnologias; outra que teve o seu avanço interrompido; e uma escola onde a informática ficou “confinada” no laboratório de informática, sem fertilizar as diversas atividades pedagógicas. Elaine escreve bem, apresenta um rico material de entrevistas, e no conjunto se trata de um bom aporte científico, tanto para educadores como para administradores. Além disto, é muito saudável ver um trabalho de administração que sai das visões tradicionais do fordismo, toyotismo, just-in-time e semelhantes, para enfrentar problemas emergentes mais diversificados.
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