São Paulo, 04/02/2012

Pílulas Informativas

Você encontrará abaixo pequenos itens de informação, de diversas fontes, que me parecem significativos para entender tendências do desenvolvimento. Considere isto como um tipo de blog científico.

Saúde, medicamentos, e lucros: acordo de 3 bilhões dólares da GSK

A revsita New Scientist de 12 de outubro de 2011 traz a seguinte notícia:

" Empresa britânica de produtos farmacêuticos GlaxoSmithKline (GSK) aceitou pagar US$3 bilhões para resolver vários processos com o governo dos EUA sobre a venda e marketing de medicamentos. Os processos incluem a denúncia de marketing ilegal por parte da GSK do antidepressivo Wellbutrin como ajuda ao emagrecimento. “Os termos exatos do acordo [com a justiça] estão sendo agora elaborados.”

A notícia é importante. Antidepressivos vendem bem, mas curas para emagrecimento vendem bem melhor. A condenação expõe práticas de marketing simplesmente escandalosas, e nos remetem ao excelente livro de Marcia Angell, “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos”(veja no site dowbor.org em Dicas de Leitura).

Vale a pena consultar o que aparece quando colocamos GSK no Google, onde só vemos notícias extremamente positivas, e quando colocamos GSK settlements (acordos jurídicos), onde aparecem inúmeros processos sobre medicamentos prejudiciais ou empurrados através de subvenções a médicos ou simplesmente apresentados como cura para oenças para asquais não foram autorizados.

O comentário do CEO da GSK dá uma dimensão da irresponsabilidade, sugerindo que doravante vão “operar com altos critérios de integridade que conduzirão os negócios de forma aberta e transparente”: 

“This is a significant step toward resolving difficult, long-standing matters which do not reflect the company that we are today," CEO Andrew Witty said."In recent years, we have fundamentally changed our procedures for compliance, marketing and selling in the U.S. to ensure that we operate with high  tandards of integrity and that we conduct our business openly and  ransparently."Among those steps, the company no longer bases bonuses on individual sales targets, GSK said, but on "quality of service."

Fonte: http://www.usatoday.com/money/industries/health/drugs/story/2011-11-03/glaxosmithkline-settlement/51057342/1

Outra matéria lembra que não se trata apenas da GSK, mas também de
outros gigantes:

“Pfizer SettlementThe Glaxo settlement would trump the $2.3 billion Pfizer Inc. paid in 2009 over the marketing of its Bextra painkiller and other drugs and the $1.4 billion Eli Lilly & Co. (LLY) paid the same year over sales of its Zyprexa anti-psychotic medicine. The Bextra accord had been the largest pharmaceutical marketing settlement in U.S. history. Abbott Laboratories agreed to pay at least $1.3 billion to settle claims by the U.S. government and 24 states alleging the company illegally marketed its Depakote epilepsy drug, people familiar with the accords said last month. “Litigation is an ever-present business risk in the pharmaceuticals industry,” Mark Purcell, a Barclays Capital analyst, wrote in a note to investors today.The proposed $3 billion settlement is “manageable,” Fitch Ratings said today in a statement. “It should help remove some uncertainty about the group’s finances without putting significant pressure on its ‘A+’ credit rating.”

Fonte: http://www.bloomberg.com/news/2011-11-03/glaxo-agrees-to-pay-3-billion-to-settle-u-s-probe-into-sales-marketing.html

É igualmente interessante que cada artigo termina com comentários sobre o comportamento das empresas nas bolsas. Os bilhões de dólares de condenações estão evidentemente incluídos nos preços que pagamos, já que as empresas fazem a publicidade enganosa pondo antecipadamente de lado recursos para os futuros processos. Simplesmente compensa. E as bolsas reagem positivamente. (L. Dowbor)

Taxa sobre emissões de carbono na Austrália

Austrália vai cobrar taxa sobre emissões de carbono a partir de julho de 2012. A nação de 500 empresas mais poluentes terão que pagar USD23 por tonelada de carbono que emitem. (L. Dowbor)

Vejam a notícia completa no link:


http://bit.ly/uEZNtr


 

Suíça rejeita criminalização de downloads gratuitos

Importante decisão do governo Suíço, descartando as propostas das empresas de se proibir download gratuito de músicas, filmes e textos. Constataram que os gastos com os produtos culturais não baixaram, e que os que fazem downloads gratuitos são também os que mais compram produtos culturais. Constatam igualmente que os downloads gratuitos aumentam atividades culturais, e que as empresas que se queixam são essencialmente os grandes grupos internacionais. Veja a decisão governamental, de 30/11/2011.(L. Dowbor)

http://www.ejpd.admin.ch/content/ejpd/fr/home/dokumentation/mi/2011/2011-11-30.html

(Tradução informal nossa)

Violações de direitos autorais na Internet: o atual quadro legal é suficiente

Press Release, O Conselho Federal, 2011/11/30

A Internet mudou profundamente a nossa forma de consumir música, filmes e jogos de computador. Este hábito, no entanto, não deverá ter impacto negativo sobre a criação cultural. O atual quadro legal pode responder adequadamente ao problema do uso ilegal de obras. Assim, não há necessidade de ação legislativa. Estas são as conclusões de um relatório ao Conselho Federal aprovado na quarta-feira.

O relatório responde a uma suposição de 19 de Março de 2010 do Conselho de Estado e do Conselho Federal para a tomada de medidas contra as violações de direitos autorais. Os produtores da indústria haviam reclamado anteriormente de um declínio na receita. O Senado manifesta a sua preocupação com o declínio nas receitas da indústria da música, cinema e jogos como prenúncio de uma crise da criatividade cultural da Suíça.

O relatório fornece uma visão geral da situação atual. De acordo com uma pesquisa local existente pode-se concluir que, na Suíça, até um terço das pessoas acima de 15 anos baixa músicas, filmes e jogos gratuitamente.  Por outro lado, apesar de inúmeros relatos da mídia e campanhas de conscientização pública, parece que a maioria dos usuários da Internet ainda não faze distinção entre o que são operações legais e ilegais.

A parcela de renda disponível para consumo nesta área permanece a mesma. No entanto, há uma mudança na maneira como este valor é usado. O dinheiro economizado ainda é usado na indústria do entretenimento, só que ao invés de ser usado na compra de CDs e DVDs, os consumidores investem em shows, cinema e produtos de merchandising.

Essa mudança afeta principalmente grandes empresas de produção estrangeira que deve se adaptar ao comportamento do novo consumidor. Dada a mudança de traçado, os temores de que esses desenvolvimentos podem afetar negativamente a cultural nacional são infundadas. Por estas razões, o Conselho Federal conclui que nenhuma ação legislativa é necessária. 

A morte de Steve Jobs, o inimigo número um da colaboração

Steve Jobs morreu, após anos lutando contra um câncer que nem mesmo todos os bilhões que ele acumulou foram capazes de conter. Desde ontem, após o anúncio de seu falecimento, não se fala em outra coisa. Panegíricos de toda sorte circulam pelos meios massivos e pós-massivos. Adulado em vida por sua genialidade, é alçado ao status de ídolo maior da era digital. É inegável que Jobs foi um grande designer, cujas sacadas levaram sua empresa ao topo do mundo. Mas há outros aspectos a explorar e sobre os quais pensar neste momento de sua morte.

Jobs era o inimigo número um da colaboração, o aspecto político e econômico mais importante da revolução digital. Nesse sentido, não era um revolucionário, mas um contra-revolucionário. O melhor deles.

 Com suas traquitanas maravilhosas, trabalhou pelo cercamento do conhecimento livre. Jamais acreditou na partilha. O que ficou particularmente evidente após seu retorno à Apple, em 1997. Acreditava que para fazer grandes inventos era necessário reunir os melhores, em uma sala, e dela sair com o produto perfeito, aquele que mobilizaria o desejo de adultos e crianças em todo o planeta, os quais formam filas para ter um novo Apple a cada lançamento anual.

A questão central, no entanto, é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micro-pagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em um sala fechada de vendas orientadas.

O que é a Apple Store senão um grande shopping center virtual, em que podemos adquirir a um clique de tela tudo o que precisamos para nos entreter? A distopia Jobiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua. Por isso, devemos nos perguntar: era isso que queríamos? É isso que queremos para o nosso mundo?

Essa pergunta torna-se ainda mais necessária quando sabemos que existem alternativas. Como escreve o economista da USP, Ricardo Abramovay, em resenha sobre o novo livro do professor de Harvard Yochai Benkler The Penguin and the Leviathan, a cooperação é a grande possibilidade deste nosso tempo.

“Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas.”

Colaboração: essa, e não outra, é a palavra revolucionária. E Jobs não gostava dela.

Rodrigo Savazoni

http://novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1847

 

Schools Face Transition to Digital Textbooks
Coréia do Sul estará investindo 2 bilhões de dólares para passar todos os livros escolares para acesso online até 2015. O objetivo é criar um ambiente onde os alunos podem estudar usando o conteúdo melhor e mais interativo a qualquer hora e em qualquer lugar. Vejam a matéria na íntegra no linkhttp://bit.ly/lhVwwv (L. Dowbor)

Rede de faculdades particulares processada enquanto EUA mostram ampla fraude

O artigo do New York Times que reproduzimos (tradução nossa e original) apresenta uma rara imagem de como funcionam as universidades privadas com fins lucrativos nos Estados Unidos. São bilhões de dólares de recursos públicos desviados. A visão importante, para nós, é que algumas atividades, e em particular a educação, não casam com o conceito de mercadoria. Entre a elitização social excessiva em instituições de luxo, de um lado, e as fabriquetas de diplomas de outro, perde-se o essencial. É interessante constatar a participação de Goldman & Sachs. Entre a concessão de crédito "subprime" a quem não teria como pagar, e o recrutamento de alunos que mal sabem escrever, a lógica é basicamente a mesma. Just business. (L. Dowbor)


Texto publicado pelo New York Times. Tradução informal nossa. (L.Dowbor)

Rede de faculdades particulares processada enquanto EUA mostram ampla fraude

08 de agosto de 2011

Por TAMAR LEWIN

O Departamento de Justiça e quatro estados entraram com um processo multibilionário por fraude nesta segunda-feira contra o Education Management Corporation, a segunda maior rede universitária particular nacional, alegando que esta não era elegível aos US $ 11 bilhões de auxilio financeiro estatal e federal que havia recebido de julho de 2003 a junho de 2011.

Enquanto esta ação judicial civil é uma das muitas que levantam acusações semelhantes contra a expansão da indústria de universidades particulares, o caso é o primeiro em que o governo interveio para apoiar reivindicações dos delatores públicos de que uma empresa consistentemente violou a lei federal através do pagamento a recrudadores de alunos com base na quantidade de alunos que eles matricularam. O processo diz que a cada ano, a Education Management falsamente certificava que estava a cumprir a lei, tornando-se elegível para receber ajuda financeira para alunos.

"A dimensão da fraude estabelecida na queixa é surpreendente", disse Harry Litman, um advogado em Pittsburgh e ex-promotor federal que é um dos que representam os dois delatores públicos cujas queixas em 2007 estimularam a ação. "Ela abrange toda a empresa – da base com mais de 100 instituições distintas até a gestão mais sênior – sendo responsável por quase todas as receitas que a empresa realizou desde 2003"

Education Management, que tem sede em Pittsburgh e é 41 por cento propriedade da Goldman Sachs, matricula cerca de 150.000 alunos em 105 escolas que operam sob quatro nomes: Art Institute, Argosy University, Brown Mackie College e South University.

Em um comunicado segunda-feira, a empresa negou qualquer irregularidade.

"A busca desta ação legal por parte do governo federal e vários estados é totalmente errada", disse Bonnie Campbell, porta-voz da assessoria jurídica da empresa. "O plano de compensação da EDMC em 2003 seguiu a lei tanto em sua concepção como  implementação, como ira mostrar resposta da EDMC à acusação do governo."

"Os regulamentos federais emitidos em 2002 permitiram empresas a considerar as matrículas associadas à compensação do oficial da admissão, desde que as matrículas não fossem o único fator considerado," continuou a afirmação. "Para garantir o cumprimento deste regulamento, EDMC trabalhou em estreita colaboração com especialistas externos em recursos humanos e direito à educação para desenvolver um plano que considerou cinco fatores de qualidade junto com o número de matrículas para determinar os salários."

A proibição do governo ao incentivo de compensação foi criado para impedir que as empresas inscrevessem estudantes não qualificados na bolsa-auxílio. O False Claims Act, que é a base para a ação judicial do governo, prevê danos triplos, e como a queixa descreve que todo auxilio do governo aos estudantes veio de tais afirmações, os danos podem ser de mais de $ 33 bilhões. Como uma questão prática, casos deste porte são normalmente encerrados por muito menos do que os danos máximos.

Desde 1986, o governo recuperou mais de US $ 25 bilhões em casos de falsa reivindicação, muitos deles baseados em marketing de empresas farmacêuticas, superfaturamento de hospitais ou fraude com terceirização de segurança e defesa. Dado o seu crescimento explosivo, faculdades particulares - que agora atendem a mais de 10 por cento dos alunos matriculados no ensino superior, ainda representam cerca de metade de todos os empréstimos a estudantes - pode tornar-se uma nova fonte principal para tais casos.

Segundo a denúncia de 122 páginas, Education Management recebeu US $ 2,2 bilhões em ajuda financeira federal no ano fiscal de 2010, perfazendo 89,3 por cento de sua receita líquida.

Os estados envolvidos nesta ação são Califórnia, Flórida, Illinois e Indiana.

A queixa descreve que a companhia tinha uma cultura de venda “estilo caldeira", em que os recrutadores eram instruídos a usar técnicas de vendas de alta pressão e alegações exageradas sobre posicionamento de carreira para aumentar a inscrição de estudantes, independentemente da qualificação dos candidatos. Recrutadores foram encorajados a até inscrever os candidatos que não foram capazes de escrever coerentemente, quem parecia estar sob a influência de drogas ou quem procurou inscrever-se em um programa on-line, mas nem sequer tinha computador.

De acordo com o processo, os recrutadores também foram levados a explorar vulnerabilidades psicológicas dos candidatos - por exemplo, a esperança de um pai de mudar o filho longe de um bairro perigoso.

Dentro da lei federal americana, delatores públicos individualmente podem abrir processos legais acusando que o governo foi defraudado, deixando ao governo a opção de intervir. De qualquer maneira é o governo que obtém a maioria do dinheiro recuperado; mas os delatores também recebem uma parcela.

O Departamento de Justiça Americano, que se recusou a intervir em várias ações de delatores públicos acusando as faculdades privadas de pratica de recrutamento fraudulentas, disse em maio que iria agir contra a Education Management, quatro anos após uma queixa prestada por dois ex-funcionários: Lynntoya Washington, assistente de direção de admissões na Divisão Online do Art Institute de Pittsburgh, e Michael T. Mahoney, diretor de treinamento da Divisão Online de Educação Superior.

Faculdades particulares com capital aberto foram recentemente alvo tanto de investigação pelo governo e de ações legais por delatores públicos. Em 2009, o Grupo Apollo, que detém a Universidade de Phoenix, a maior faculdade privada, resolveu um caso de delator público por US $ 78 milhões.

A queixa descrevia que Todd Nelson, chefe-executivo de Education Management, liderou anteriormente a Universidade de Phoenix. Em Phoenix, ele assinou um acordo de 9,8 milhões dólares com o Departamento de Educação, que descobriu que a Universidade de Phoenix tinha violado "sistematicamente e intencionalmente" regras federais contra o pagamento de recrutadores de alunos. Phoenix nunca admitiu qualquer irregularidade tanto neste acordo como no acordo maior com delator público há dois anos.

A queixa do Departamento de Justiça descreveu que o sistema de compensação da Education Management foi semelhante ao de Phoenix; funcionários da empresa disseram que este sistema foi criado muito antes do Sr. Nelson juntar-se à empresa em 2007.

Em 2003, o diretor executivo da Education Management foi Jock McKernan, um ex-governador do Maine que agora atua como presidente do conselho. Mr. McKernan é casado com a senadora Olympia J. Snowe, republicana do Maine cuja declaração de renda em 2010 lista títulos e ações da Education Management no valor de $ 2 milhões a $ 10 milhões.

Abaixo o texto original publicado pelo New York Times. (L. Dowbor)

For-Profit College Group Sued as U.S. Lays Out Wide Fraud

New York Times

August 8, 2011

By TAMAR LEWIN

The Department of Justice and four states on Monday filed a multibillion-dollar fraud suit against the Education Management Corporation, the nation’s second-largest for-profit college company, charging that it was not eligible for the $11 billion in state and federal financial aid it had received from July 2003 through June 2011.

While the civil lawsuit is one of many raising similar charges against the expanding for-profit college industry, the case is the first in which the government intervened to back whistle-blowers’ claims that a company consistently violated federal law by paying recruiters based on how many students it enrolled. The suit said that each year, Education Management falsely certified that it was complying with the law, making it eligible to receive student financial aid.

“The depth and breadth of the fraud laid out in the complaint are astonishing,” said Harry Litman, a lawyer in Pittsburgh and former federal prosecutor who is one of those representing the two whistle-blowers whose 2007 complaints spurred the suit. “It spans the entire company — from the ground level in over 100 separate institutions up to the most senior management — and accounts for nearly all the revenues the company has realized since 2003.”

Education Management, which is based in Pittsburgh and is 41 percent owned by Goldman Sachs, enrolls about 150,000 students in 105 schools operating under four names: Art Institute, Argosy University, Brown Mackie College and South University.

In a statement Monday, the company denied any wrongdoing.

“The pursuit of this legal action by the federal government and a handful of states is flat-out wrong,” said Bonnie Campbell, a spokeswoman for the company’s legal counsel. “EDMC’s 2003 compensation plan followed the law in both its design and implementation, as EDMC’s response to the governments’ complaint will show.”

“Federal regulations issued in 2002 permitted companies to consider enrollments in admission officer compensation, so long as enrollments were not the sole factor considered,” the statement continued. “To ensure compliance with this regulation, EDMC worked closely with outside experts in both human resources and education law to develop a plan that required consideration of five quality factors along with enrollment numbers to determine salaries.”

The government’s incentive compensation ban was designed to stop companies from signing up unqualified students for their aid money. The False Claims Act, the basis for the government’s lawsuit, provides for triple damages, and since the complaint said all the government student aid came from such claims, the damages could be as much as $33 billion. As a practical matter, though, such huge cases are usually settled for far less than the maximum damages.

Since 1986, the government has recovered more than $25 billion in false-claim cases, many of them based on pharmaceutical company marketing, hospitals overbilling or defense contractor fraud. Given their explosive growth, for-profit colleges — which now serve more than 10 percent of the students enrolled in higher education, yet account for about half of all defaults on student loans — could become a new prime source for such cases.

According to the 122-page complaint, Education Management got $2.2 billion of federal financial aid in fiscal 2010, making up 89.3 percent of its net revenues.

The states joining in the suit are California, Florida, Illinois and Indiana.

The complaint said the company had a “boiler-room style sales culture” in which recruiters were instructed to use high-pressure sales techniques and inflated claims about career placement to increase student enrollment, regardless of applicants’ qualifications. Recruiters were encouraged to enroll even applicants who were unable to write coherently, who appeared to be under the influence of drugs or who sought to enroll in an online program but had no computer.

According to the suit, recruiters were also led to exploit applicants’ psychological vulnerabilities — for example, a parent’s hopes of moving a child out of a dangerous neighborhood.

Under the False Claims Act, individual whistle-blowers can file suits charging that the government has been defrauded, leaving the government the option to intervene. Either way, the government gets the majority of any money recovered; the whistle-blowers also get a share.

The Justice Department, which has declined to intervene in two dozen whistle-blower suits charging for-profit colleges with fraudulent recruiting practices, said in May that it would act against Education Management, four years after a complaint filed by two former employees: Lynntoya Washington, an assistant director of admissions at the Art Institute of Pittsburgh Online Division, and Michael T. Mahoney, the director of training for the Online Higher Education Division.

Publicly traded for-profit college companies have recently been a target both of government scrutiny and whistle-blower suits. In 2009, the Apollo Group, which owns the University of Phoenix, the largest for-profit college, settled a whistle-blower case for $78 million.

The complaint noted that Todd Nelson, the chief executive of Education Management, previously headed the University of Phoenix. At Phoenix, he signed a $9.8 million settlement with the Department of Education, which had found that Phoenix had “systematically and intentionally” violated federal rules against paying recruiters for students. Phoenix never admitted any wrongdoing in either that settlement or the larger whistle-blower settlement two years ago.

The Justice Department complaint said Education Management’s compensation system was similar to the one at Phoenix; company officials have said it was set up long before Mr. Nelson joined it in 2007.

In 2003, Education Management’s chief executive was Jock McKernan, a former governor of Maine who now serves as chairman of the board. Mr. McKernan is married to Senator Olympia J. Snowe, a Maine Republican whose 2010 financial disclosure form lists Education Management stock and options worth $2 million to $10 million.

Fonte: http://www.nytimes.com/2011/08/09/education/09forprofit.html?_r=2&hpw

O mito do bonus (The bonus Myth)

O artigo de Nic Fleming refresca realmente o ambiente. Como ele mesmo escreve, “muitos economistas acreditam que os incentivos contam toda a história. No entanto, os fatos (the evidence) nos dizem que eles se enganam”. Uma série de pesquisas recentes mostra que temos aqui uma faca de dois gumes. As pessoas ficam sem dúvida contentes em receber um bônus, mas à medida que o espírito do bônus se instala, as pessoas perdem de vista os objetivos reais das suas contribuições profissionais, e os resultados se invertem.

A cultura do bônus sem dúvida se generalizou, inclusive em áreas como educação, saúde e semelhantes. Parecia tão óbvio que por uma recompensa as pessoas se esforçariam mais, que esqueceram de pesquisar se realmente isto se verifica. “Pode vir como um choque para muitos descobrir que um amplo e crescente corpo de dados (evidence) sugere que em muitas circunstâncias, pagar por resultados pode até fazer as pessoas ter uma performance ruim, e que quanto mais se paga, pior a performance”.  

Na realidade, o que as pesquisas mostram, é que ao promover o estímulo da recompensa por resultados – a “cenoura” para fazer as pessoas trabalharem mais – aumenta o estímulo financeiro, mas reduz-se progressivamente a motivação intrínseca do trabalho bem feito, do prazer da competência. De certa forma, “quanto mais se recompensa as pessoas por fazer algo, mais a sua motivação intrínseca tende a declinar”. “Os estudos sugerem que oferecer recompensas pode travar a tendência das pessoas fazerem as coisas pelo prazer da realização, uma ideia conhecida como efeito de sobre-justificação (overjustification). Esta foi a base de uma série de livros de Alfie Kohn nos quais ele argumenta que recompensar crianças, estudantes e trabalhadores com notas, incentivos e outras ‘propinas’ leva a um trabalho inferior no longo prazo...Os que recebem os bônus inevitavelmente jogam pelo seguro, tornam-se menos criativos, colaboram menos e se sentem menos valorizados”.

Ainda que a reação natural e um pouco cínica nos faça duvidar, o fato é que uma meta-análise (sistematização de análises anteriores) de 128 pesquisas coordenada por Edward Deci, da Rochester University (NY), sugere que se trata de dados muito firmes. Segundo Deci, “os fatos são absolutamente claros. Não há dúvidas que praticamente em todas as circunstâncias em que as pessoas estão fazendo coisas para obter recompensas, recompensas extrínsicas tangíveis minam a motivação intrínseca...uma vez que se torna as pessoas dependentes de resultados e não dos comportamentos, para obter as recompensas, os dados mostram que as pessoas irão tomar o caminho mais curto para estes resultados”.

Não estamos sonhando. Fica claro, no artigo de Fleming, que quando se está fazendo coisas estúpidas apenas por dinheiro, o bônus não irá reduzir uma motivação que o trabalhador já não tinha. Mas no conjunto, a dependência do bônus, da recompensa material calculada a cada esforço, tende finalmente a desviar a atenção das pessoas dos resultados mais amplos do processo produtivo, e isto é particularmente importante nas atividades densas em conhecimento que ocupam cada vez mais espaço.

Geraint Anderson, que trabalhou anos em bancos em Londres, e escreveu Cityboy sobre o trabalho no meio financeiro, tão dependente de bônus, resume o assunto: “Se você pode roubar o avanço dos seus colegas, buscar crédito pelas realizações deles, tocar a sua própria corneta e puxar o saco do seu chefe (kiss your boss’s arse), você pode sim aumentar o seu bônus”.  Anderson, que ganhou dois bônus anuais de meio milhão de libras cada, sabe de que está falando.

Os argumentos trazidos por Fleming são importantes. Seguramente não se aplicam a todas as circunstâncias. Mas da mesma forma como estamos deixando de acreditar nas bobagens do tipo que o ser humano se guia pela maximização racional das vantagens individuais, estamos começando a repensar a teoria da cenoura. Não somos coelhos. E os desastres financeiros gerados pelos administradores que mais recebem bônus no planeta constituem um argumento interessante. Um gerente da sua conta no banco, movido a bônus proporcionalamente à quantidade de “reciprocidades” (seguros inúteis, pacotes de aplicação etc.) là vai se preocupar em lhe informar realmente sobre os riscos?

Na realidade, é mais complexo mas mais significativo assegurar qualidade de vida no trabalho, um clima colaborativo e de respeito, salários decentes, transparência nas informações, processos mais democráticos de decisão, redução da jornada de trabalho (as tecnologias já permitem, as ideias não surgem proporcionalmente às horas, e um fim de semana completo com a família todo mundo merce). E também, porque não, aplicar aquelas regras de ética empresarial penduradas na sala da presidência. As coisas que o empregado faz tem de fazer sentido para ele, para o meio ambiente e para a sociedade, não só para os sócios. Passamos muitas horas no trabalho: precisa nos dar certa satisfação todo dia, e todo mês, não no fim do ano. 

(L. Dowbor)

 

Link: http://dowbor.org/pilulas.asp

 

 

Trechos de: Ideia de uma Economia Local - maio - 2011

Uma nota interessante sobre o nosso grau de desinformação sobre os produtos que consumimos, como se a origem, o impacto ambiental e outros elementos importantes do consumo consciente não fossem importantes (L.D)

"Parto do princípio de que existe uma linha de pensamento válido, desde a ideia da economia total como a ideia de uma economia local. Presumo que o primeiro pensamento pode ser um reconhecimento da própria ignorância e da vulnerabilidade como consumidor dentro da economia total. Enquanto consumidores não conhecemos a história dos produtos que usamos. De onde exatamente eles vêm? Quem os produziu? Que toxinas que foram utilizados na sua produção? Quais foram os custos ecológicos e humanos de produzi-los e depois, para eliminá-los? Vê-se que tais questões não podem ser facilmente respondidas, e talvez nunca respondidas. Embora para uns seja acessível a compra de uma incrível variedade de produtos, a outros ela é negada. Em tal estado de ignorância econômica, não é possível escolher produtos produzidos localmente ou razoavelmente amigáveis às pessoas e à natureza. Também não é possível a esses consumidores influenciar a produção para sua melhora. Os consumidores que se preocupam com o manejo da terra sabem que nessa economia não há meios para realizarem essa prática. Para ser um consumidor na economia total, é preciso concordar em ser totalmente ignorante, totalmente passivo e totalmente dependente de fontes distantes e fornecedores com interesses próprios."

"I am assuming that there is a valid line of thought leading from the idea of the total economy to the idea of a local economy. I assume that the first thought may be a recognition of one’s ignorance and vulnerability as a consumer in the total economy. As such a consumer, one does not know the history of the products that one uses. Where, exactly, did they come from? Who produced them? What toxins were used in their production? What were the human and ecological costs of producing them and then of disposing of them? One sees that such questions cannot be answered easily, and perhaps not at all. Though one is shopping amid an astonishing variety of products, one is denied certain significant choices. In such a state of economic ignorance it is not possible to choose products that were produced locally or with reasonable kindness toward people and toward nature. Nor is it possible for such consumers to influence production for the better. Consumers who feel a prompting toward land stewardship find that in this economy they can have no stewardly practice. To be a consumer in the total economy, one must agree to be totally ignorant, totally passive, and totally dependent on distant supplies and self-interested suppliers."

Excerpts from The Idea of a Local Economy

Orion Magazine (2001)

Wendell Berry

Fonte: http://ukiahcommunityblog.wordpress.com/contact/the-idea-of-a-local-economy/

IPEA: impactos econômicos dos gastos sociais - fev.
Muito importante o comunicado n. 75 do Ipea que apresenta os impactos econômicos dos gastos sociais, tanto em políticas sociais como saúde e educação, como os programas redistributivos. Comprova o que tantos economistas tentam explicar, de que não se trata de gasto social, e sim de investimento nas pessoas, o que dinamiza a economia e responde ao objetivo maior de melhorar a qualidade de vida da população. O link é http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/110203_comunicadoipea75.pdf
ou http://bit.ly/e9rBGg

Manifesto de economistas defende controle de capital - 1p. - fev

Fonte: Mercado Ético
04.02.2011

Um grupo de economistas dos Estados Unidos e de outros países enviaram um manifesto à secretária de Estado, Hillary Clinton, ao secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, e ao embaixador Ron Kirk, do Escritório de Comércio dos EUA, defendendo a adoção de mecanismos de controle de capitais especulativos como instrumento para enfrentar a crise financeira global. O texto do manifesto é o seguinte:

Nós, economistas abaixo assinados, escrevemos para alertar-vos a respeito de importantes novos desenvolvimentos na literatura econômica relativos a regulações financeiras prudentes e para expressar preocupação especial no que concerne ao quanto o controle de capitais é restrito nos tratados comerciais e de investimentos firmados pelos EUA com outros países.

Pesquisa renomada recentemente publicada pelo Bureau Nacional de Pesquisa Econômica, pelo FMI e em outros lugares chegaram à conclusão de que o estabelecimento de limites no influxo de capitais de curto prazo em nações em desenvolvimento pode estancar o desenvolvimento de bolhas de ativos e a supervalorização de moedas, e geralmente garante às nações mais autonomia nas suas políticas monetárias.

Dada a severidade da crise financeira global e sua extensão, as nações precisarão de todas as ferramentas possíveis que estiverem ao seu alcance para evitar e mitigar a crise financeira. A regulação de capitais decerto não é panaceia, mas essas novas pesquisas apontam para um consenso progressivo quanto a que técnicas de controle de capitais devam ser incluídas dentre as “medidas macro-prudenciais cuidadosamente desenhadas” apoiadas pelos líderes do G-20 na Cúpula de Seoul.

Na verdade, nos últimos meses um número de países, da Tailândia ao Brasil, tem respondido ao surto de fluxo de capital volátil adotando várias formas de regulação de capitais.

Nós também escrevemos para expressar nossa preocupação com o fato de que muitos dos acordos dos EUA de livre mercado e dos acordos bilaterais de investimento contém dispositivos que limitam estritamente a capacidade de nossos parceiros comerciais de desenvolverem controle de capitais. Os dispositivos que concernem à “transferência de capital” desses acordos requerem que os governos permitam todas as transferências relativas a investimentos cobertos pelos acordos sejam feitas “livremente e sem atraso, para dentro ou para fora de seu território”.

Sob esses acordos, investidores privados estrangeiros tem o poder de efetivamente processar governos em tribunais internacionais, alegando violações desses dispositivos. Um acordo pouco recente dos EUA pôs limites ao montante de prejuízos que investidores estrangeiros podem receber como compensações por algumas medidas de controle de capitais e requer um período de quarentena antes que os investidores possam protocolar suas reclamações. No entanto, essas pequenas reformas não vão longe o suficiente para assegurar que os governantes tenham a prerrogativa de usar essas ferramentas políticas. Os acordos de comércio e investimentos de outras grandes nações exportadoras permitem mais flexibilidade.

Nós recomendamos que os futuros Acordos de Livre Comércio e Tratados Bilaterais de Investimentos permitam aos governos desenvolver controles de capital sem se sujeitarem às contestações dos investidores, como parte de um conjunto mais amplo de opções políticas voltadas a impedir e mitigar crises financeiras.

Leia a lista completa das assinaturas em:
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/manifesto-de-economistas-defende-controle-de-capital/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

Stédile: Todos os dias o povo come veneno - fev.2011

O tema tem imensa importância, e é objeto tanto de denúncias como de amplas campanhas de propaganda para negar qualquer problema, por parte das empresas, na linha do chamado negacionismo. Na área da indústria farmacêutica ocorre fenômeno semelhantes (veja neste site, em Dicas de Leitura, a resenha do livro de Márcia Angell sobre a indústria farmacêutica). Brincar com química realmente não é brincadeira, e o ritmo de introdução de novos produtos químicos sem precauções está por trás tanto de boa parte da expansão do câncer como de outras contaminações. Primavera Silenciosa foi o primeiro livro que abriu os nossos olhos sobre a contaminação química, e hoje, com a mortandade mundial das abelhas, por exemplo, os resíduos de antibióticos e de hormônios na carne que comemos, de conservantes químicos de tantos produtos, trata-se de um dos eixos críticos de um processo descontrolado, pela fragilidade dos órgãos reguladores frente às corporações, que constituem um pequeno grupo mundial tanto na área farmacêutica como na dos agrotóxicos. A nota do Stédile é forte, mas embasada, e vale a pena acompanhar a crescente literatura mundial sobre o tema. (L. Dowbor)
 
 Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?

João Pedro Stédile
no Adital
29.11.10

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na ultima safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma media anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.

Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química etc.

O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.

Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos… e quem será o responsável pelas conseqüências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou na verdade as empresas desovarem seus estoques.

Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as maquinas num mesmo período. Pois bem esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população inclusive das cidades vizinhas.

O Dr. Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras conseqüências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.

Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade federal do Ceara já comprovaram o aumento do câncer, na população brasileira, conseqüência do aumento do uso de agrotóxicos.

A ANVISA -responsável pela vigilância sanitária de nosso país-, detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados,somente esse ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, alem de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.

O Dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, de que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estomago no Brasil, a maioria conseqüente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.

Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que, é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da segunda guerra mundial, para cá, como uma adequação das fabricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnam. E agora suas fabricas produzem o glifosato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.

Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as conseqüências no meio ambiente e na saúde da população.

* Economista. Integrante da coordenação nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina Brasil

 http://www.viomundo.com.br/denuncias/stedile-todos-os-dias-o-povo-come-veneno.html

Quem tem medo do Wikileaks? - Manuel Castells, do La Vanguardia - 3p. - dez 2010

“Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos”, escreve o sociólogo Manuel Castells em artigo para o jornal espanhol La Vanguardia.

Texto em português publicado originalmente no IHU-Online - Publicado no La Vanguardia em 30/10/2010.

Quem tem medo do Wikileaks?
Manuel Castells

Tinha que acontecer. Há tempo os governos estão preocupados com sua perda de controle da informação no mundo da internet. Já estavam incomodados com a liberdade de imprensa. Mas haviam aprendido a conviver com os meios de comunicação tradicionais. Ao contrário, o ciberespaço, povoado de fontes autônomas de informação, é uma ameaça decisiva a essa capacidade de silenciar sobre a qual a dominação sempre se fundou. Se não sabemos o que está acontecendo, mesmo que teimamos, os governantes têm as mãos livres para roubar e anistiar-se mutuamente, como na França ou na Itália, ou para massacrar milhares de civis e dar livre curso à tortura, como fizeram os Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão.

Os ataques contra o Wikileaks não questionam sua veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação com o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e cidadãos. Por isso o alarma das elites políticas e midiáticas diante da publicação de centenas de milhares de documentos originais incriminatórios para os poderes fáticos nos Estados Unidos e em muitos outros países por parte do Wikileaks. Trata-se de um meio de comunicação pela internet, criado em 2007, publicado pela fundação sem fins lucrativos registrada legalmente na Alemanha, mas que opera a partir da Suécia. Conta com cinco empregados permanentes, cerca de 800 colaboradores ocasionais e centenas de voluntários distribuídos por todo o mundo: jornalistas, informáticos, engenheiros e advogados, muitos advogados para preparar sua defesa contra o que sabiam que lhes aconteceria.

Seu orçamento anual é de cerca de 300 milhões de euros, fruto de doações, cada vez mais confidenciais, mesmo que algumas sejam de fontes como a Associated Press. Foi iniciado por parte de dissidentes chineses com apoios em empresas de internet de Taiwan, mas pouco a pouco recebeu o impulso de ativistas de internet e defensores da comunicação livre unidos em uma mesma causa global: obter e divulgar a informação mais secreta que governos, corporações e, às vezes, meios de comunicação ocultam dos cidadãos. Recebem a maior parte da informação pela internet, mediante o uso de mensagens encriptadas com uma avançadíssima tecnologia de encriptação cujo uso é facilitado àqueles que querem enviar a informação seguindo seus conselhos, ou seja, desde cibercafés ou pontos quentes de Wi-Fi, o mais longe possível de seus lugares habituais. Aconselham não escrever a nenhum endereço que tenha a palavra wiki, mas utilizar outras que disponibilizam regularmente (tal como http://destiny.mooo.com). Apesar do assédio que receberam desde a sua origem, foram denunciando corrupção, abusos, tortura e matanças em todo o mundo, desde o presidente do Quênia até a lavagem de dinheiro na Suíça ou as atrocidades nas guerras dos Estados Unidos.

Receberam numerosos prêmios internacionais de reconhecimento pelo seu trabalho, incluindo os do The Economist e da Anistia Internacional. É precisamente esse crescente prestígio de profissionalismo que preocupa nas alturas. Porque a linha de defesa contra as webs autônomas na internet é negar-lhes credibilidade. Mas os 70.000 documentos publicados em julho sobre a guerra do Afeganistão ou os 400.000 sobre o Iraque divulgados agora, são documentos originais, a maioria procedentes de soldados norte-americanos ou de relatórios militares confidenciais. Em alguns casos, filtrados por soldados e agentes de segurança norte-americanos, três dos quais estão presos. O Wikileaks tem um sistema de verificação que inclui o envio de repórteres seus ao Iraque, onde entrevistam sobreviventes e consultam arquivos.

Essa é a tática midiática mais antiga: para que se esqueçam da mensagem: atacar o mensageiro. De fato, os ataques contra o Wikileaks não questionam sua veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação, sob o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e de cidadãos. A resposta do Wikileaks: os nomes e outros sinais de identificação são apagados e são divulgados documentos sobre fatos passados, de modo que é improvável que possam colocar em perigo operações atuais. Mesmo assim, Hillary Clinton condenou a publicação sem comentar a ocultação de milhares de mortos civis e as práticas de tortura revelados pelos documentos. Nick Clegg, o vice-primeiro-ministro britânico, ao menos censurou o método, mas pediu uma investigação sobre os fatos.

Mas o mais extraordinário é que alguns meios de comunicação estão colaborando com o ataque que os serviços de inteligência lançaram contra Julian Assange, diretor do Wikileaks. Um comentário editorial da Fox News chega inclusive a cogitar o seu assassinato. E mesmo sem ir tão longe, John Burns, no The New York Times, procura mesclar tudo num nevoeiro sobre o personagem de Assange. É irônico que isso seja feito por este jornalista, bom colega de Judy Miller, a repórter do The Times que informou, consciente de que era mentira, a descoberta de armas de destruição em massa (veja-se o filme A zona verde).

É o Partido Pirata da Suécia que está protegendo o Wikileaks, disponibilizando-lhe o seu servidor central fechado em um refúgio subterrâneo à prova de qualquer interferência. Essa é a tática midiática mais antiga: para que se esqueçam da mensagem, atacar o mensageiro. Nixon fez isso em 1971 com Daniel Ellsberg, que publicou os famosos papéis do Pentágono que expuseram os crimes no Vietnã e mudaram a opinião pública sobre a guerra. Por isso Ellsberg aparece em entrevistas coletivas ao lado de Assange.

Personagem de novela, o australiano Assange passou boa parte de seus 39 anos mudando de lugar desde criança e, usando seus dotes matemáticos, fazendo ativismo hacker para causas políticas e de denúncia. Agora está mais do que nunca na semiclandestinidade, movendo-se de um país para outro, vivendo em aeroportos e evitando países onde se procuram pretextos para prendê-lo. Por isso, foi aberto na Suécia, onde se encontra mais livre, um processo contra ele por violação, que logo foi negado pela juíza (releiam o começo do romance de Stieg Larsson e verão uma estranha coincidência). É o Partido Pirata da Suécia (10% dos votos nas eleições europeias) que está protegendo o Wikileaks, deixando seu servido central trancado em um refúgio subterrâneo à prova de qualquer interferência.

O drama apenas começou. Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos. Continuará.

Tradução: Cepat (Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores)
(Envolverde/Carta Maior )

2050 Vision: The new agenda for business in brief - World Business Council for Sustainable Development - ago 2010

Um conjunto de 29 grandes empresas transnacionais, no quadro do World
Business Council for Sustainable Development, desenhou os nossos
desafios para o ano 2050. Vale a pena dar uma olhada. São projeções
interessantes e mostram o nível de preocupação que começa a chegar em
lugares onde antes só existia o “bottom line”. O relatório deverá ser
proximamente disponibilizado em português, no quadro do CEBDS. No link
abaixo está o resumo executivo, mas o documento completo pode também
ser acessado no mesmo site.

“We have what is needed to live well, within the limits of the planet:
the scientific knowledge, proven and emerging technologies, financial
assets and instant communications. Nevertheless, today our societies
are on a dangerously unsustainable track. The story is one of growth
in populations and consumption (in most countries) compounded by
inertia stemming from inadequate governance and policy responses
necessary to manage this growth. The result is degradation of the
environment and societies.”

http://www.wbcsd.org/web//projects/BZrole/Vision2050_Summary_Final.pdf

International Integrated Reporting Committee (IIRC) - ago 2010

A iniciativa de criar o IIRC, sistema integrado de informações que permitam uma governança adequada dos países e das corporações, é muito importante. Faz parte da evolução planetária para adequar as nossas contas nacionais, tão deformadas pela conta PIB. São 33 organizações que participam inicialmente. A visão é integrar informações sociais, ambientais, econômicas, financeiras e de governança. Hazel Henderson desempenha um papel importante nesta iniciativa. A nota abaixo é um “release” sobre a fundação do IIRC, que se deu no início de agosto de 2010. No site de Hazel Henderson há mais informações.

http://www.integratedreporting.org/

Dr. Henderson, creator of the GREEN TRANSITION SCOREBOARD™ (GTS), stressed its vision and purpose, "Our mission of fostering ethical markets and growing the green economy worldwide is shared by millions of entrepreneurs, inventors, scientists, engineers, venture capitalists, investors, pension funds, as well as civic groups, academics, students and employees of incumbent industries in the fossilized sectors in many countries.  This requires the revolution in corporate and national accounts we have long advocated – now underway by the new International Integrated Reporting Committee (IIRC) steered by 33 organizations, including the Global Reporting Initiative, the UN Principles of Responsible Investing and many other pension funds and accounting bodies worldwide, with the backing of the International and US Accounting Standards Boards."

Dr. Drug Rep - Daniel Carlat

Uma carta publicada no New Scientist de 29 de maio de 2010, por Joanna Jastrzebska, chamou a minha atenção: “Muitas vezes os mais recentes produtos produtos das empresas biomédicas são apenas a mesma velha pílula em nova embalagem, então precisam gastar bilhões de dólares em marketing, publicidade de lobbies para assegurar as vendas. A controversia em torno do Big  Pharma (as grandes empresas farmacêuticas) inclui  acusações de comportamento antiético em cada estágio do marketing dos seus produtos, de não relatar pesquisas que apresentaram resultados negativos, até publicidade pesada em revistas de medicina, financiamento de encontros educacionais para profissionais da saúde, sem mencionar o fato de “empurrar” doenças (disease-mongering)”. Joanna “acordou” para como são empurrados os medicamentos a partir da leitura de um artigo no New York Times, de 25 de novembro de 2007, escrito por Daniel Carlat, que tinha sido “conferencista” para a empresa farmacêutica Wyeth. Curioso, busquei o artigo, veja o link abaixo. Está em inglês, mas vale a pena, um excelente relato de experiência com empresas por parte de um médico psiquiatra. Aliás, é bom lembrar que a Pfizer está pagando a multa de 2,3 bilhões de dólares nos Estados Unidos, por propaganda enganosa (Pfizer’s 2.3 billion settlement with the US government over charges of illegal drug marketing, NS 1 May 2010). Veja o artigo: http://www.nytimes.com/2007/11/25/magazine/25memoir-t.html?pagewanted=1&_r=2

 

Petroleira dos EUA deu US$ 50 mi a céticos do clima

A campanha dos grandes responsáveis pela mudança climática para convencer as pessoas que o assunto é “sujeito a controvérsias” – pois não dá para negar – continua firme. Veja também em Dicas de Leitura neste site a resenha do livro de Hoggan sobre como está organizada a campanha mundial, os grupos que participam, quem financia etc. (LD)

Petroleira dos EUA deu US$ 50 mi a céticos do clima
http://www.portaldomeioambiente.org.br/denuncias/3732-petroleira-dos-eua-deu-us-50-mi-a-ceticos-do-clima.html
Seg, 05/Abr/2010 02:18

Um relatório divulgado na terça-feira passada (30/3) pela ONG Greenpeace acusa umas das maiores companhias de petróleo dos EUA, a Koch Industries, de canalizar discretamente quase US$ 50 milhões em uma década (metade disso só entre 2005 e 2008) a uma rede de estudiosos e "think tanks" para "minar a confiança na ciência do clima e promover oposição à energia limpa, nos EUA e internacionalmente".

Entre os grupos que mais receberam fundos da Koch estão os influentes Instituto Cato (mais de US$ 5 milhões de 1997 a 2008), Heritage Foundation (US$ 3,3 milhões no período), Mercatus Center (US$ 9,2 milhões de 2005 a 2008) e Americanos pela Prosperidade (US$ 5,2 milhões de 2005 a 2008), segundo o Greenpeace.

No total, segundo o texto, a Koch ajudou a pagar operações de mais de 20 organizações que "repetidamente reproduziram e espalharam a história do chamado "climagate" [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima]".

Também financiaram um estudo "suspeito" que nega que ursos polares estão em perigo e um instituto dinamarquês que produziu material usado como crítica à energia eólica.

O relatório indica que o conglomerado, baseado no Kansas, gastou quase três vezes mais do que a petrolífera ExxonMobil entre 2005 e 2008 --US$ 25 milhões contra US$ 9 milhões-- no financiamento de grupos antimudança climática. Também empregou US$ 43,7 milhões com lobby direto e campanhas políticas.

"É hora de a Koch Industries abandonar sua campanha suja e de bastidores contra a ação para combater a mudança climática", disse ontem Kert Davies, diretor de pesquisas do Greenpeace nos EUA.

Demonização

O conglomerado não nega os números, mas afirma que o relatório oferece uma representação incorreta de suas atividades e "distorce o histórico ambiental de suas empresas".

"As companhias Koch há muito apoiam a pesquisa e o diálogo científicos sobre a mudança climática e as propostas de resposta [ao fenômeno]. Tanto a sociedade livre quanto o método científico exigem um debate aberto e honesto de todos os lados, não a demonização e o silêncio daqueles com os quais você discorda", disse a Koch em comunicado à imprensa.

Sem nenhuma empresa operando com o nome, mas dona de marcas como a Lycra e os copos de plástico Dixie, a Koch tem operações em mais de 60 países, que rendem US$ 100 bilhões anuais em vendas. Emprega cerca de 70 mil pessoas --é atualmente o segundo maior grupo privado dos EUA, atrás da Cargill.

No Brasil, o grupo tem quatro subsidiárias em operação: três em São Paulo (Koch Chemical Technology Group, Georgia-Pacific e Invista) e uma no Rio de Janeiro (Koch Exploration, de petróleo e gás natural).

Procurado pela Folha, o presidente do Instituto Cato, Ed Crane, disse em nota que "o Greenpeace parece mais interessado em nossas fontes de financiamento do que na precisão das pesquisas sendo financiadas".

"O "Climagate" fala por essa precisão. Dito isso, 95% de nosso orçamento vem de fontes não relacionadas [aos irmãos] Charles Koch e David Koch [controladores do conglomerado], e nenhuma verba dos Koch jamais foi designada para um projeto específico."

O Cato tem em seu time o climatologista Pat Michaels, um dos mais célebres céticos, que esteve no Brasil nesta semana.

FCC envia ao Congresso norte-americano seu Plano Nacional de Banda Larga - Instituto Telecom - 2p. - mar.2010

A liberação geral do acesso à banda larga internet - por enquanto ainda cheia de pedágios e restrições de empresas telefônicas instaladas no Brasil - é uma condição vital para o desenvolvimento futuro, e em particular para a transformação que deve sofrer o mundo da educação, no sentido da gestão integrada do conhecimento. A lei proposa nos Estados Unidos pode ser um ponto de referência (não necessariamente de cópia) para nós, vale a pena acompanhar. Andar na rua é uma atividade livre, e o conhecimento circular nas ondas eletromagnéticas, também públicas, também deve ser livre e público. (LD)


FCC envia ao Congresso norte-americano seu Plano Nacional de Banda Larga

Escrito por João Carlos Fonseca, da Telebrasil, quarta-feira, 17 de março de 2010   
Sex, 19 de Março de 2010 14:08

A FFC – Federal Communications Commission –, que trata das telecomunicações nos EUA – enviou, em 16 de março último, ao Congresso norte-americano o que chamou de "road map" para o século XXI. O plano prevê alcançar todos os recantos do país com uma Internet "robusta", a que todos possam ter economicamente acesso. A previsão é de conectar, na década, 100 milhões de residências, com um serviço a 100 Mbit/s.

Segundo a FCC, o plano, cujo o nome ("Connecting America: The National Broadband" ou "Conectando a América – a banda larga nacional") já diz quase tudo e se destina a transformar a economia norte-americana e a dotar a sociedade do país do norte com a "rede de telecomunicações do futuro".

Numa espécie de "mea culpa" – que bem poderia servir de exemplo a outros países –, admite a FCC que a nação falhou na utilização do poder da banda larga para prestar serviços governamentais nas áreas da saúde, educação, segurança pública, conservação de energia, desenvolvimento econômico e outras prioridades nacionais. Mesmo nos EUA, 100 milhões de americanos não possuem ainda banda larga em casa e 14 milhões não têm acesso a este meio, ainda que assim o desejassem.

Maior mercado de banda larga do mundo

O megaplano prevê criar, até 2020, o maior mercado de banda larga do mundo, gerando novos empregos e empresas. Prevê conectar nada menos que 100 milhões de residências, com serviços a 100 Mbit/s. As comunidades dos EUA terão a altíssima velocidade de 1 Gbit/s, conectando sua principais instituições como escolas, hospitais e instalações militares.

Toda criança norte-americana deverá ser, ao deixar o ensino médio, um alfabetizado digital. Leia-se, aqui, utilizar computador ou equivalente e navegar na Internet. Escolas, bibliotecas e populações vulneráveis das comunidades rurais não foram esquecidas. O plano prevê prover banda larga a custos acessíveis e reorientar o Fundo de Serviço Universal – o Fust de lá – para passar da tecnologia analógica de ontem para a infraestrutura digital de amanhã.

A FCC também recomenda que haja competição no "ecossistema da banda larga", dando-lhe maior transparência e removendo barreiras para novos entrantes. As análises de mercado deverão levar em conta preço, velocidade e disponibilidade da banda larga.O item segurança não foi esquecido pelos norte-americanos. Ela deverá ser melhorada pelo provimento do acesso imediato a uma rede nacional pública sem fio destinada para este fim.

Setenta e cinco mil páginas de comentários públicos

O plano, fruto do American Recovery and Reinvestmente Act of 2009, foi produzido com rigor, abertura e transparência – os interesses são muitos e variados – pelo grupo de trabalho da FCC, relata a própria comissão.

A FCC cumpriu exaustivamente o dever de casa e fez questão de divulgar as estatísticas de seu trabalho. Foram 36 workshops, nove audiências e 31 avisos, tudo aberto ao público. Foram produzidas ainda 75 mil páginas de comentários públicos. O debate prosseguiu on-line, com 131 blogs com 1,5 mil comentários. Ideias foram debatidas e votadas na Internet e angariaram 6,1 mil participações.

As redes sociais – YouTube e Twitter – contribuíram fortemente para aumentar o volume de informações, numa demonstração de democracia eletrônica. Além disso, o grupo de trabalho da FCC também conduziu pesquisa e levantamento de dados independentes.Metade das recomendações do plano – um vasto documento que pode ser acessado em http://www.broadband.gov/download-plan/ – é voltado para a própria FCC e as restantes para o Congresso, para o poder executivo do presidente Barack Obama e para os governos estaduais e locais. O plano também leva em consideração o setor privado e o setor sem fins lucrativos. Mais informações podem ser obtidas em http://www.broadband.gov/.

 

Velocidade média do trânsito de SP cai para 15 km/h; veja pontos de medição - Folha de S.Paulo - 05/03/2010

05/03/2010 - 03h01

ALENCAR IZIDORO
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

A velocidade média do trânsito na cidade de São Paulo caiu no ano passado. No pico da tarde (17h às 20h), passou de 18 km/h em 2008 para 15 km/h.

Na prática, os veículos têm circulado no rush mais devagar do que um corredor campeão da São Silvestre e num ritmo tão lento que se assemelha ao que uma galinha pode atingir.

Os números de redução da velocidade na capital constam do "Relatório de Atividades Operacionais" da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), concluído em fevereiro.

No pico da manhã (7h às 10h), os veículos circularam a 29,75 km/h na média das principais avenidas da cidade aferidas pela companhia --queda de 4% em relação aos 31 km/h do ano anterior. No pico da tarde, a queda foi de 16%.

Os resultados foram verificados mesmo após medidas mais severas e polêmicas de limitação ao tráfego de veículos em São Paulo de dois anos para cá.

Em 2008, a gestão Gilberto Kassab (DEM) ampliou a restrição aos caminhões e, em 2009, aos ônibus fretados --nesse caso, recebendo críticas pelo risco de migração dos usuários para os carros.

Nos últimos dois anos, também houve a retirada de vagas de estacionamento da via pública em diversos bairros, para melhorar a fluidez do trânsito.

A principal explicação para a queda da velocidade é a expansão da frota. Só no ano passado, a cidade ganhou mais de 335 mil veículos, quase mil por dia. Para amortizar os impactos seria necessário construir uma avenida como a Paulista por semana --solução considerada impossível por especialistas.

Interdições e chuva

A CET defende a eficácia das restrições aos caminhões e aos fretados e relativiza os dados que mostram que os veículos passaram a andar mais devagar.

Ela avalia que a redução da velocidade foi influenciada por fatores como as novas interdições no trânsito (devido às obras do metrô e da marginal Tietê) e a elevação de 20% nas interferências (quebra de carros e caminhões, por exemplo).

Cita também os impactos do "aumento excepcional" no volume de chuva (alta de 42% no índice de precipitação pluviométrica). Essa explicação, aliás, é citada como justificativa para a queda ter sido mais acentuada no pico da tarde.

A CET exalta os resultados de outro parâmetro de avaliação: a quantidade de quilômetros de congestionamentos nos 835 km de vias monitoradas.

Isso significa que, nas medições da CET, a quantidade de ruas e avenidas com trânsito parado nos horários mais críticos diminuiu, embora os motoristas estejam circulando a uma velocidade média mais baixa.

Os cálculos de velocidade são baseados em dez medições diárias, em frente a 27 PACs (Postos Avançados de Campo), dos 31 que existem na cidade (veja abaixo). Ao todo, 18,2 km são monitorados.

A partir do mês que vem, especialistas esperam uma melhoria no trânsito devido a inaugurações de três empreendimentos de grande porte: a alça sul do Rodoanel, a primeira fase da ampliação da marginal Tietê e a linha 4 do metrô.

21 hours - NEF, New Economics Foundation - 33p. (jan. 2010)

Um estudo do NEF, New Economics Foundation de Londres, sugere que seria muito mais racional evoluirmos da semana de 40 horas para uma semana de 21 horas. Lembremos que Keynes sugeria, numa simbólica “carta aos netos”, que neste fim de século, com as novas tecnologias, não precisaríamos trabalhar mais de 15 horas por semana.

Não se trata de sonhos, e sim de uma evolução inevitável, exigida tanto pela proteção dos recursos naturais, como pelo direito de acesso de todos a ganharem a sua vida, e pela necessária evolução da economia para setores mais centrados no conhecimento – além evidentemente da qualidade de vida no trabalho e fora dele.

Vale a pena ver o estudo, está em inglês, o link é http://www.neweconomics.org/sites/neweconomics.org/files/21_Hours.pdf O artigo não é longo, 33 páginas, e abre perspectivas. Lembremos que a redução da jornada está se tornando um dos focos mais importantes de uma agenda de mudanças sociais.
 
 
Executive summary

This report sets out arguments for a much shorter working week. It proposes a radical change in what is considered ‘normal’ – down from 40 hours or more, to 21 hours. While people can choose to work longer or shorter hours, we propose that 21 hours – or its equivalent spread across the calendar year – should become the standard that is generally expected by government, employers, trade unions, employees, and everyone else.
 
Planet, people, and markets: reasons for change
 
A much shorter working week would change the tempo of our lives, reshape habits and conventions, and profoundly alter the dominant cultures of western society. Arguments for a 21-hour week fall into three categories, reflecting three interdependent ‘economies’, or sources of wealth, derived from the natural resources of the planet, from human resources, assets and relationships, inherent in everyone’s everyday lives, and from markets. Our arguments are based on the premise that we must recognise and value all three economies and make sure they work together for sustainable social justice.
 
Safeguarding the natural resources of the planet. Moving towards a much shorter working week would help break the habit of living to work, working to earn, and earning to consume. People may become less attached to carbon-intensive consumption and more attached to relationships, pastimes, and places that absorb less money and more time. It would help society to manage without carbon-intensive growth, release time for people to live more sustainably, and reduce greenhouse gas emissions.

Social justice and well-being for all. A 21-hour ‘normal’ working week could help distribute paid work more evenly across the population, reducing ill-being associated with unemployment, long working hours and too little control over time. It would make it possible for paid and unpaid work to be distributed more equally between women and men; for parents to spend more time with their children – and to spend that time differently; for people to delay retirement if they wanted to, and to have more time to care for others, to participate in local activities and to do other things of their choosing. Critically, it would enable the ‘core’ economy to flourish by making more and better use of uncommodified human resources in defining and meeting individual and shared needs. It would free up time for people to act as equal partners, with professionals and other public service workers, in co-producing well-being.

A robust and prosperous economy. Shorter working hours could help to adapt the economy to the needs of society and the environment, rather than subjugating society and environment to the needs of the economy. Business would benefit from more women entering the workforce; from men leading more rounded, balanced lives; and from reductions in work-place stress associated with juggling paid employment and home-based responsibilities. It could also help to end credit-fuelled growth, to develop a more resilient and adaptable economy, and to safeguard public resources for investment in a low-carbon industrial strategy and other measures to support a sustainable economy.

EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar - Hazel Henderson - (Jan.2010)

A nota de Hazel Henderson sobre financiamento corporativo das campanhas tem grande importância. Hoje no Brasil, com o financiamento empresarial, terminamos por ter uma bancada ruralista, outra das empreiteiras, outra dos bancos e assim por diante, e só não temos bancada do cidadão. E cidadãos são pessoas físicas, não pessoas jurídicas. O que por sua leva a que tenhamos deputados e senadores que votam em grande parte obedecendo a quem os financia, e não aos interesses do país. Isto deforma o processo política na sua própria base, e não adianta se queixar de “políticos corruptos” se na raiz já são adquiridos. É essencial assegurar o financiamento público e igualitário das campanhas. A tendência que Hazel Henderson denuncia no presente artigo, vai no sentido inverso: as corporações nos EUA conseguiram a liberação geral de financiamento dos políticos, não corrompendo depois, mas já os comprando antes. E não sai mais barato: o financiamento público sairia do nosso bolso via impostos, o financiamento privado sai do nosso bolso via preços dos produtos, só que passamos a ter políticos sem vínculos com a cidadania. Que há também os íntegros, não há dúvida, mas o sistema é estruturalmente viciado. Artigo publicado no site Carta Maior em jan.2010. (LD)

EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar
Hazel Henderson

A visão fantástica dessa mais alta Corte dos Estados Unidos defende que o dinheiro é equivalente à livre expressão sob a Primeira Emenda, e que a corporações são “pessoas” equivalentes a seres humanos. A irrealidade dessa visão também equipara corporações com sindicatos, sem reconhecer que sindicatos representam pessoas reais, enquanto corporações são entidades legais com o propósito de fazer dinheiro para os seus acionistas.

Os efeitos dessa apertada decisão por 5 a 4 na Suprema Corte incluem a permissão de acesso à Política do país através de vários investidores internacionais que detêm ações em corporações estadunidenses. Por exemplo, o Príncipe Alaweed bin Talal da Arábia Saudita é um dos maiores investidores do Citibank e da New Corporation, que tem o Wall Street Journal, a Rede de Televisão Fox, a Sky News e uma outra mídia global. Os Fundos Soberanos da Noruega, da China, de Cingapura, do Kuwait e de outros países podem agora influenciar a política dos EUA como jamais ocorreu antes.

Advogados constitucionalistas estão assombrados, inclusive o Presidente Obama, que observou: “A Suprema Corte deu luz verde para a avalanche de interesses especiais do dinheiro em nossa política. Essa é uma grande vitória do Petróleo, dos banqueiros de Wall Street, das companhias de seguro de saúde e de outros interesses que manobram diariamente o poder em Washington e abafa, cotidianamente, as vozes dos americanos”.

Muitos projetos de lei foram apresentados no Congresso para passar por cima da decisão da Corte, a maior parte com foco no direito corporativo e na governança. Eles incluíram o reforço das regulações e o controle pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC – Securities and Exchange Comission). Tais projetos exigiriam a aprovação dos acionistas pelos conselhos diretores das corporações antes que elas liberassem seus fundos de ações para apoiar ou se opor a questões políticas e candidatos. Limitariam os gastos pelas corporações que sejam substancialmente de propriedade de grupos de investidores internacionais e cidadãos não-estadunidenses. Muitos críticos acrescentaram que os políticos cujas eleições se devem aos fundos corporativos deveriam ser convocados para tornarem públicos as logomarcas dessas corporações em suas roupas e em todas as suas manifestações públicas, por exemplo, como o senador da Microsoft, da Halliburton, do Citibank ou do Goldman Sachs.

Outros críticos apresentaram detalhadamente a idiotia da equiparação entre corporações e seres humanos reais. Eles disseram: “se isso é verdade, não seria uma forma de escravidão ter uma corporação?”. Poderiam as corporações agora, então, também usarem armas e votarem? Corporações já têm muitos dos direitos de cidadania estadunidense, só que muito menos responsabilidades do que o têm as pessoas reais. Corporações são protegidas por leis que limitam suas dívidas; desfrutam de vida perpétua e ainda carregam um poder imenso – evidenciado por sua captura dos reguladores e políticos.

Os insípidos debates no Fórum Econômico de Davos sobre a questão capitalismo versus socialismo foram suplantados pela conquista da democracia das corporações. Os lobistas das corporações dos grandes bancos estão lutando contra reformas financeiras necessárias. Lobistas de seguros de saúde e das companhias farmacêuticas conduziram os projetos da reforma da saúde para novas traições substanciais. Lobistas das companhias de energia distorceram os projetos sobre clima e energia, tornando-os novas frutas podres, em defesa do carro-chefe do combustível fóssil e das companhias de energia nuclear. Em todo o planeta, o lobby das corporações militares dirige a compra de armas.

À opinião absurda do juiz da Corte Suprema John Robert, de que as corporações são em vários aspectos “amordaçadas” ou de que necessitam de mais dos direitos garantidos na Primeira Emenda somou-se a divergência do juiz Stevens, em nome dos juízes Ginsberg, Sotomayor e Breyer: “A democracia americana é imperfeita, mas poucos fora desta Corte teriam pensado que ela definha até a morte, com o dinheiro corporativo na política”.

De fato, um grupo de corporações dos EUA respondeu com uma Carta Aberta ao Congresso, opondo-se à ameaça de tirar dinheiro dos candidatos de ambos os partidos políticos e optando pela destinação desse dinheiro para a corrida armamentista. Tomara que esse tipo de liderança socialmente responsável das companhias progressistas possa ser apoiada por investidores institucionais, como aqueles dos Princípios para o Investimento Responsável, da ONU (representando portfolios de $19 trilhões em ações das companhias). Eles podem, juntos, com as 3000 companhias signatárias do Pacto Global da ONU, desenvolver proteções para impedir o investimento nessas companhias que tomam as decisões da Suprema Corte como licença para jogar ainda mais dinheiro em lobies e para arrancar o poder do processo democrático.

O efeito cascata do dinheiro adicional na política dos EUA e na propaganda acelerará a sinistra tomada do governo, bem como da mídia de massa, pelas corporações – a definição clássica de fascismo. Uma resposta é o Mercado Ético para a propaganda ética e a campanha do Mercado Ético com a Academia Mundial de Negócios (http://www.worldbusiness.org/) para parar o neuromarketing e sua manipulação de consumidores.

Como essa conquista corporativa dos Estados Unidos da América afeta seu padrão de mundo? A ganância e a cultura da obsessão pelo dinheiro de Wall Street já danificaram todo o mundo e causaram milhões de vítimas inocentes da fome, das adversidades, de perdas de empregos, meios de vida e infligiu um enorme dano ambiental.

Essa decisão da Suprema Corte causará uma perda futura de critério e autoridade moral, no mundo. A arrogância do unilateralismo dos EUA vêm causando danos desde a queda do Muro de Berlim. Esse momento unipolar acabou. Para a sorte da comunidade internacional, outros países, Índia, Brasil e a União Européia estão assumindo a liderança democrática. A irresponsável decisão da Suprema Corte dos EUA sobrepujou os esforços do Presidente Barack Obama para restaurar o multilateralismo. Foi um golpe na democracia dos EUA e fornece um mau exemplo ao avanço da democracia mundo afora.

Hazel Henderson é presidente do Ethical Markets Media (EUA e Brasil) e da Green Transition Scoreboard, companhia signatária dos Princípios do Investimento Responsável, da ONU. É fundadora e co-diretora da Academia Mundial de Negócios MercadoÉtico para a propaganda ética, autora de vários livros e co-criadora do Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson www.ethicalmarkets.com

Fundos Rotativos Solidários - Clarício dos Santos Filho – 21p. - jan 2010

Clarício dos Santos Filho - Fundos Rotativos Solidários: dilemas, avanços e esperanças de uma política pública inclusiva nos marcos da economia solidária no Nordeste do Brasil – janeiro de 2010, 21 p.  (BNB, ETENE)

Um estudo sobre políticas de crédito do Banco do Nordeste: O estudo de Clarício dos Santos Filho sobre as políticas de crédito do Banco do Nordeste é particularmente importante, pois mostra que é perfeitamente viável gerar uma política de inclusão produtiva, via crédito, para uma grande massa de pobres. O conjunto de “tecnologias de crédito” envolve não só o acesso aos recursos, como a difusão de tecnologias sociais, a diferenciação de políticas segundo os territórios, a capilarização das atividades, a formação de capital social nas comunidades ao associá-las à gestão de recursos.

Lembremos que se trata de uma área geográfica duas vezes maior que a França, que se trata da maior massa de famílias em situação crítica do país. O volume de recursos aplicados foi de 1,4 bilhões em 2002, passando para 18 bilhões em 2009, expansão impressionante. Em 2009 foram 2,1 milhões de operações de crédito. Para nós que pesquisamos opções de organização prática para usar as poupanças de forma inteligente, trata-se de um dos vetores mais importantes de democratização da economia. Constatar que funciona, e bem, e em grande escala, podendo ser expandido tanto nacionalmente como em outros países, com os devidos ajustes, nos ajuda a montar uma agenda. Aliás, a confrontação da produtividade econômica e social do dinheiro bem gerido por uma instituição pública, com o caos e elitização gerados pelos grandes bancos privados e fundos especulativas, constitui uma lição importante.

A lógica é diferente do crédito comercial tradicional, onde se visa não o desenvolvimento do território, mas o crescimento do próprio intermediário financeiro. Um trecho do artigo resume bem esta reviravolta: “Em seu desenho e metodologia o papel atribuído aos Fundos não é de prover o crédito segundo uma lógica financeira tradicional e/ou segundo uma lógica clientelista presente em comunidades rurais, mas sim, político-pedagógica que viabiliza a emancipação das comunidades beneficiárias a partir da lógica da solidariedade.” (20)

Pontos que me pareceram mais significativos:

Tecnologias de crédito: Aplicação a partir de 2003 de uma nova abordagem das tecnologias de crédito, incorporando uma visão territorial do financiamento do desenvolvimento: o próprio conceito de desenvolvimento de uma política de crédito específica para este nível de renda é muito significativo. Capilaridade de crédito, no Brasil, os bancos privados só conhecem em termos de um aspirador que chupa até as menores poupanças. Tecnologia não é apenas máquina, e sim organização adequada às necessidades da população.(7)
 
Critérios de regionalização: A opção não é apenas territorial: ao trabalhar essencialmente no semiárido, com índice pluviométrico menor de 800 mm ao ano, o que representa dois terços do território nordestino, atinge as regiões de agricultura de baixa produtividade e importantes bolsõess de pobreza e exclusão social. O banco comercial, em contrapartida, buscará o cliente que dispõe  de maiores recursos, onde os lucros podem ser maiores.(6)

Geração de capital social: “A articulação político-institucional inserida em redes, possibilita o acesso aos mercados de bens, produtos e serviços, enquanto construções sociais. Assim, valoriza-se as formas de coordenação e governança territoriais, que pode ser tanto uma associação ou cooperativa de agricultores familiares, ou uma ONG, ou uma agência de desenvolvimento local . Associar a rede de organizações da sociedade civil ASA (Articulação do Semiárido) e de organizações religiosas, por exemplo, pode ser crucial.(7)

Fomento tecnológico: Através do FUNDECI, Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, investe-se na pesquisa e difusão de tecnologias inovadoras de convivência com o semiárido. Tecnologia não é só, nem principalmente, registrar patentes internacionais e obter citações em revistas científicas. O processo é associado ao Fundo de Apoio às Atividades Socioeconômicas do Nordeste (FASE), com programas de formação, feiras etc.(8)

Co-responsabilização: “Os Fundos Rotativos Solidários são formas de poupança coletivas no meio popular, na forma dinheiro e/ou produtos, geridos por entidades da sociedade civil ou organizações  comunitárias, e destinados ao apoio de projetos associativos e comunitários de produção de bens e serviços”...”Desta forma, a responsabildide da condução e sucesso do Programa é de responsabilidade tanto da própria comunidade e suas entidades que vão gerir os recursos, quanto do Comité Gestor Nacional, que seleciona os projetos a serem apoiados”. A formação de Comités Gestores Locais completa a arquitetura organizacional. (14, 15, 18).

Tirar gente do buraco negro da miséria é notoriamente difícil, não é só um processos econômico, envolve uma mudança cultural, e um conjunto de processos de apoio que se complementam. Não à toa cunhou-se a expressão “debt-trap”, a armadilha da pobreza, de onde é tão difícil sair. As políticas aqui descritas não saem na grande imprensa, mas se trata de mudanças essenciais para o nosso futuro.

Disponível em: http://dowbor.org/ar/clariciotextofrs.doc

(L. Dowbor, 21 de janeiro de 2009)

A “fúria” dos financistas - Bresser Pereira - 1p. - (dez.09)

Sempre está na moda falar mal de impostos. Ouvimos o tempo todo que temos os “mais altos do mundo”, coisa que é fácil dizer no rádio pois ninguém tem a mínima idéia de como é “no mundo”. O problema não é o nível dos impostos, e sim de quem é cobrado, a transparencia nos mecanismos de cobrança, e como é utilizado. A nota do Bresser-Pereira sobre o imposto de 50% sobre os bônus de especuladores é muito simpática. A questão da reforma tributária no Brasil está sempre no horizonte, e aqui está um bom exemplo. (L. Dowbor)

A “fúria” dos financistas
Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S. Paulo, 21.12.2009

O que o governo britânico faz ao taxar os bônus ganhos pelos financistas não é nada mais do que a sua obrigação

A leitura do sisudo "Financial Times" do dia 10 estava até engraçada. Sua manchete de primeira página era "Fúria dos banqueiros com o superimposto sobre os bônus". A fúria refere-se ao imposto de 50% sobre todos os bônus obtidos por financistas acima do ganho anual de 25 mil libras que foi anunciado pelo ministro das Finanças do Reino Unido, Alistair Darling.

Fiquei curioso em saber como se manifestaria na prática a fúria ou o ódio desses senhores que não são apenas dirigentes de bancos são principalmente operadores financeiros ("traders") que ganham bônus. Eles dominaram o mundo durante 30 anos, definiram as regras da "nova" racionalidade econômica baseada no velho "laissez-faire", enriqueceram-se e tornaram ainda mais ricos os rentistas a quem estavam associados, provocaram um enorme aumento da desigualdade em toda parte, aumentaram a instabilidade financeira mundial e, afinal, provocaram a crise global de 2008, que obrigou os governos a gastarem cerca de 5% do PIB mundial para salvá-los.

A decisão do governo britânico foi surpreendente, porque até há pouco era esse governo e o dos Estados Unidos que mais resistiam à pressão dos demais países ricos, principalmente os demais países da União Européia, para que o sistema financeiro fosse mais fortemente regulado, e os bônus dos financistas, taxados. Resistiam porque Londres e Nova York são os dois maiores centros financeiros do mundo e medidas restritivas a suas atividades poderiam promover a migração do sistema financeiro para outras praças.

Essa preocupação é legítima e salienta a necessidade de coordenação das ações regulatórias entre as maiores economias mundiais. Está claro, porém, que essa cooperação existirá. Haverá sempre aqueles tentados a agir como caronas ("free ride’t), mas os demais países dispõem de poder suficiente para neutralizá-los. O que definitivamente não é razoável é deixar de regular o sistema com a desculpa de que não haverá cooperação internacional é manter incentivos para que um grupo relativamente grande de jovens e brilhantes profissionais ou tecnoburocratas formados nas melhores universidades inventem inovações financeiras que dão lucro aos rentistas e bônus para eles próprios, mas prejudicam os demais é permitir que adotem práticas arriscadas que levam os países à crise e obrigam seus governos a gastar bilhões e bilhões dos contribuintes para salvar suas economias de crise sistêmica.

Vivemos no capitalismo do conhecimento ou no capitalismo tecnoburocrático -um tipo de capitalismo caracterizado por cooperação e conflito entre a velha classe capitalista e a relativamente nova classe profissional ou tecnoburocrática. Sei que os membros da nova classe terão uma participação crescente na renda do país porque detêm o monopólio do conhecimento técnico, organizacional e financeiro. Mas isso não significa que devamos deixá-los livres para agir como quiserem.

As sociedades modernas se caracterizam por um sistema econômico flexível e dinâmico -o capitalismo tecnoburocrático- que lembra um tigre e que, por isso mesmo, é cego à justiça e à ordem ou à estabilidade e por um sistema político -o Estado democrático- que tem o papel de regular ou domar esse perigoso mas insubstituível animal. O que o governo britânico está fazendo é apenas isso. Nada mais do que a sua obrigação. Os financistas podem ficar furiosos mais indignados estão os cidadãos que foram prejudicados por sua irresponsabilidade e cobram agora dos governos as medidas regulatórias necessárias.

Pondo a mesa (Setting the Table) - Shivani Reddy e outros - Dezembro de 2009

Todos estamos começando a nos preocupar mais com a nossa dimensão individual, como consumidores, frente aos problemas ambientais. Um estudo britânico, da Universidade de Oxford e da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, traz indicações interessantes sobre a convergência entre comer de maneira mais saudável, proteger o meio-ambiente e ter impactos sociais positivos.

"No conjunto (o estudo) trouxe mais provas de sinergias positivas (o "ganha-ganha", ou "win-win") entre os impactos em termos de sustentabilidade do que tensões (tipo "win-lose"). Por exemplo, reduzir o cnsumo de alimentos e bebidas de baixo valor nutritivo (alimentos e bebidas de alto teor em gordura e açucar) mostrou ter impactos essencialmente positivos sobre a saúde, o meio-ambiente e na redução de desigualdades sociais". O resumo executivo, das páginas 2 a 6, oferece uma visão de conjunto. Consumo saudável pode ser também consumo inteligente. (L. Dowbor)

Acesse o documento em http://www.sd-commission.org.uk/publications.php?id=1033

MIT abra acesso livre e gratuito aos textos, na íntegra - Dez 09

Na busca de lucros mais elevados, as editoras perderam de vista os valores da academia”, declara Ann Wolpert, diretora de bibliotecas do MIT. A questão da propriedade intelectual gera um amplo debate entre a corporação dos suportes materiais (grandes editoras de livros “adotados”, empresas de discos, donos de patentes etc.) e os que querem ver o conhecimento circular para o enriquecimento de todos. No plano do conhecimento tecnológico, é essencial a democratização do acesso. A iniciativa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) de disponibilizar a totalidade da produção científica do corpo de professores e pesquisadores, gratuitamente e online para uso em qualquer parte do mundo, reveste-se de grande importância, e abre um caminho claro e decente nesta área cheia de ideologias, preconceitos e apelos à ética por parte de quem quer justificar monopólio. A nota anexa, de 2 páginas, explicita a posição da instituição, sendo que Harvard e outras de primeira linha estão seguindo na mesma linha. Nós é que continuamos nas trevas da leitura de capítulos xerocados. Acesse o site: http://web.mit.edu/newsoffice/2009/open-access-0320.html (L. Dowbor)

MIT faculty open access to their scholarly articles

March 20, 2009
CAMBRIDGE, Mass., March 20

In a move aimed at broadening access to MIT's research and scholarship, faculty at the Massachusetts Institute of Technology have voted to make their scholarly articles available to the public for free and open access on the Web.

The new policy, which was approved unanimously at an MIT faculty meeting on Wednesday, March 18 and took immediate effect, emphasizes MIT's commitment to disseminating the fruits of its research and scholarship as widely as possible.

"The vote is a signal to the world that we speak in a unified voice; that what we value is the free flow of ideas," said Bish Sinyal, chair of the MIT Faculty and the Ford International Professor of Urban Development and Planning.

Under the new policy, faculty authors give MIT nonexclusive permission to disseminate their journal articles for open access through DSpace, an open-source software platform developed by the MIT Libraries and Hewlett Packard and launched in 2002. The policy gives MIT and its faculty the right to use and share the articles for any purpose other than to make a profit. Authors may opt out on a paper-by-paper basis.

MIT's policy is the first faculty-driven, university-wide initiative of its kind in the United States. While Harvard and Stanford universities have implemented open access mandates at some of their schools, MIT is the first to fully implement the policy university-wide as a result of a faculty vote. MIT's resolution is built on similar language adopted by the Harvard Faculty of Arts & Sciences in 2008.

"Scholarly publishing has so far been based purely on contracts between publishers and individual faculty authors," said Hal Abelson, the Class of 1922 Prof. of Electrical Engineering & Computer Science and chair of the Ad-Hoc Faculty Committee on Open Access Publishing. "In that system, faculty members and their institutions are powerless. This resolution changes that by creating a role in the publishing process for the faculty as a whole, not just as isolated individuals."

In the current scholarly publishing system, individual authors are required to transfer all or most of their rights to the publisher. Typically publishers will strictly limit access to the work through licensing and charge increasingly high subscription rates back to universities to access the articles. University libraries have faced subscription rates rising at a rate far outpacing inflation. The MIT Libraries, for example, spend more than three times as much on journal subscriptions today than they did in 1986.

"Through this action, MIT faculty have shown great leadership in the promotion of free and open scholarly communication," said MIT Director of Libraries Ann Wolpert, who worked closely with Abelson and others to move the resolution forward. "In the quest for higher profits, publishers have lost sight of the values of the academy. This will allow authors to advance research and education by making their research available to the world."

MIT has long focused on projects and initiatives that encourage the open sharing of knowledge, with the goal of advancing learning and education worldwide. MIT's DSpace repository contains the digital research materials of MIT faculty and researchers and allows them to be saved, searched and shared worldwide. MIT OpenCourseWare (OCW) was  launched in 2001 with the goal of making all MIT course materials available, free of charge, to anyone over the World Wide Web. Since then, OCW has shared MIT course materials with more than 50 million visitors worldwide and inspired hundreds of other universities to do the same. The new open access resolution will now remove barriers to making all of MIT's research openly available to the world.

A faculty committee will work with the MIT Libraries to oversee implementation and determine a workflow for adding articles to DSpace. Under the new open access model, potentially thousands of papers published by MIT faculty each year will be added to DSpace and made freely available on the web and accessible through search engines such as Google.

Science and the Corporate Agenda - Nov 09

Stuart Parkinson, Chris Langley – SGR, Resumo executivo, 4 p.

A organização não governamental Scientists for Global Responsibility (SGR) realizou um estudo aprofundado sobre as relações entre a pesquisa científica e o mundo corporativo. O que aparece com clareza, é que as pesquisas que interessam à expansão das corporações são dinamizadas, e as que são de interesse mais amplo da sociedade são travadas.

“Uma marca fundamental da ciência é que está sofrendo erosão na sua liberdade de definir a agenda da pesquisa pública de maneira a que sirva ao interesse público...Como resultado, a agricultura de “baixo-insumo”, que requer uso mínimo de fertilizantes químicos e de pesticidas, e é mais barata e mais útil para agricultores mais pobres, encontra-se amplamente abandonada. Da mesma forma, pesquisa sobre como melhorar a distribuição de alimentos recebe apoio inadequado... Para dizê-lo de maneira direta, grande parte da ciência financiada publicamente já não se faz segundo o interesse público.” 

O estudo recomenda a apresentação transparente dos arranjos financeiros entre a academia e as empresas, uma mudança das políticas governamentais que priorizam a pesquisa com retorno comercial de curto prazo acima de tudo e outras providências. A apropriação da ciência pelas corporações já não se dá apenas através da apropriação dos resultados (ver o artigo Da propriedade intelectual à sociedade do conhecimento, sob “Artigos Online” em dowbor.org) mas também através da apropriação da própria agenda de pesquisa, financiada com recursos públicos, e depois apropriada através de patentes.

O impacto particularmente dramático na área farmacêutica é bem conhecido, mas o presente relatório vai muito além. É um aporte muito significativo e bastante esperado. Tanto o resumo executivo como o relatório completo estão disponíveis online em: http://www.sgr.org.uk/SciencePolicy/SGR_corp_science_summary.pdf  (L. Dowbor)

Encontros transformadores: Caco Barcellos e Ladislau Dowbor - Out 09

O vídeo abaixo é a respeito de um encontro muito agradável, proposto pela revista TRIP, que tive com o jornalista Caco Barcellos, um dos parceiros de indicação do Prêmio Trip Transformadores 2009.

http://www.youtube.com/watch?v=YYfKb54HAvM

Fundo comum de patentes para baratear antirretrovirais - out 09

O problema das patentes da indústria farmacêutica constitui uma tragédia. A nota abaixo, de Andréa Borde, é muito útil para sentir o tamanho do desafio. Os preços cobrados pelos medicamentos não têm limite, pois uma pessoa ameaçada raspa as gavetas e paga, e se for um filho vende até a alma. A nota abaixo mostra o drama dos medicamentos para Aids, doença que já matou 25 milhões de pessoas, mais de quatro vezes o holcausto do judeus durante toda a segunda guerra mundial, enquanto se discute a rentabilidade das ações das empresas. Como as empresas alegam que têm gastos com pesquisa, vale a pena ler “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos”, de Marcia Angell (veja neste site a resenha sob “Dicas de Leitura”), sobre os gastos reais em pesquisa e em publicidade. Os lucros que as empresas obtêm graças às patentes são muito grandes, mas incomparavelmente maiores são os custos para a sociedade de sustentar dezenas de milhões de pessoas que vão definnhando. O que temos aqui é uma indústria da doença, em vez de uma política de saúde. Ver também, neste site, sob “Artigos”, o nosso “Da propriedade intelectual à sociedade do conhecimento”. (L. Dowbor)


 

The Dollar's Fate - Aug 09

O papel do dólar, simulteamente moeda nacional e moeda mundial, colocou os Estados Unidos numa posição confortável - desde os acordos de Bretton Woods e a rejeição pelos americanos das propostas de Keynes - de emitir à vontada papéis que outros terão de aceitar. O artigo de Paul Kennedy, traz o peso específico do autor, muito respeitado pela amplitude das suas visões, e constitui ótima leitura pela clareza do raciocínio: "Vivemos hoje num mundo onde um único país, possuidor de apenas 5% da população mundial, tem certa 20% do seu PIB, gasta quase 50% do orçamento militar global, e imprime livremente notas que somam entre 65 e 70% das reservas globais em moeda externa". Este debate, segundo Paul Kennedy, "é realmente sobre se iremos presenciar um outro deslocamento global no equilíbrio de poder "antes" ou "mais tarde" e não sobre "se" ocorrerá". De toda forma, segundo o autor, os americanos precisam parar de "considerar a redução do papel mundial do dólar como um tipo de ameaça à sua masculinidade". Leia The Dollar's Fate, publicado em International Herald Tribune (28.08.2009) através do link: http://www.nytimes.com/2009/08/29/opinion/29iht-edkennedy.html?pagewanted=2&_r=1&sq=Paul%20Kennedy&st=cse&scp=1 (em inglês).

The Dollar's Fate
Paul Kennedy
(28.08.09)

There is a most interesting debate going on at present about the longer-term fate of the U.S. dollar as the supreme reserve currency for foreign-exchange transactions and, more importantly, for the currency holdings of national governments, global companies and the producers of oil, gas and other raw materials.

This attracted attention at the time of the G-20 meeting in London this past April, when the International Monetary Fund received a fresh allocation of $250 billion in special drawing rights (SDRs).

Two months later, the issue came up again at Yekaterinburg, Russia, where the meeting of the BRICs — Brazil, Russia, India and China — suggested to commentators that a coalition of rising states might pull Uncle Sam down to size, in part by shifting their currency holdings from the dollar into these I.M.F. units of account.

A generous interpretation of all of this talk is that it actually is rather better for the world to have its monetary exchanges based upon some international “spread” of currencies rather than upon a single one that, if it toppled due to domestic mismanagement, could bring ruin to many innocent players. Had not the great economist John Maynard Keynes proposed this with the creation of the “bancor” in 1944, to head off a dollar-denominated world that would in the end meet its fate of carrying too much on its shoulders?

This would have been good for the international community and, actually, good for America. Why should the Weary Titan have to stagger under the too-vast weight of its single-currency burden? But Washington vetoed Keynes’ scheme. It’s nice to feel you are Top Dog. Besides, if you possess the world’s leading foreign currency, you can run enormous trade and current-account deficits without being punished for it.

The nastier interpretation of this move toward ending the dollar’s preeminence is, let there be no doubt, an anti-American one. It seems to be in the nature of things that the leading power in world affairs is always resented by countries further down the totem pole, even when that hegemon is fairly successful at distributing what economists term “public goods.”

If, therefore, the rising economies of Brazil, Russia, India and China decide to have their own get-together, it is scarcely surprising that they would discuss the international trading and financial system, and how to become less dependent on America’s capacity (through sub-prime mortgages, lousy banks, currency dominance) to wreak damage upon it.

To some, a weakened dollar might also be good as a blow to U.S. arrogance, and a reminder that even top dogs can be tripped up. Removing the dollar’s “unfair” advantage as the primary reserve currency has always seemed agreeable to French intellectuals and, the record shows, to French presidents from de Gaulle to Sarkozy.

So why not, then, push for a more equitable “basket of currencies” to grease the world’s commercial exchanges or, as a variant of that, try to arrange trade through the medium of the I.M.F.’s special drawing rights?

It turns out that there all sorts of reasons why those SDRs cannot at present function as a common currency — that is, as something you would price a Toyota car in, or as a wad of bills you could withdraw from a cash machine. Their function is intergovernmental by nature and not at all like, say, Barclay’s foreign-currency departments.

This was well explained recently by the financial writer Swaminathan S. Anklesaria Aiyar of the Cato Institute, in Washington (see www.cato.org/pub_display.php?pub_id=10331). It should be noted that Aiyar is not like certain nationalist American commentators on this topic who seem to regard a reduction in the dollar’s world role as something like a threat to one’s masculinity.

In fact, Aiyar cold-bloodedly argues that the dollar’s relative fall will much more likely come as a result of the continued growth of China’s G.D.P. and the future arrival of the yuan as a fully convertible currency — and not as a recourse by the governments of the world to some artificial I.M.F. instrument like the special drawing rights. With the yuan joining the euro, the yen and the dollar as the four biggest foreign currencies by far, there will be even less pressure and logic for substitution of the traditional means of money exchange.

Just a short time before reading Aiyar, my eye was caught by a rather extraordinary article, “The World Supremacy of the Dollar at the Rendering (1917-2008),” by the superb Italian scholar Antonio Mosconi of the Einstein Centre for International Studies (CESI). The title itself is so intriguingly biblical that I immediately wanted to know what it said.

For those with less time on their hands than university professors, it said this: The U.S dollar has lived two lives, the first as the currency of a powerful creditor country from the 1920s to the 1960s, the second as the currency of an “empire of debt” from the 1970s until today, with much more international indebtedness to come, simply from the wretched fire sale of Treasury bonds every week.

It is impossible to summarize in a few sentences Mosconi’s devastating and elegant description of the U.S. government’s exploitation of its domestic paper-printing capacity upon the international fiscal scene, but his general conclusion is blunt: “This crisis is not like the others, but it is the last convulsion of the international role of the dollar.” At some time in the future, much of the world will take steps to avoid having its fate rest upon the autistic decisions of the U.S. Treasury and the Federal Reserve Bank. And then will come the rendering….

Well, we shall see. Given the nervousness of world markets at present, it is as possible that we could see an improvement in the dollar’s exchange value as watch a sudden slump.

Overall, though, these academic papers make some basic sense. We live in a world right now where one single country, possessing only about 5 percent of the earth’s population, has roughly 20 percent of its G.D.P., spends almost 50 percent of its total defense expenditures, and freely prints bills that account for 65-70 percent of global foreign-currency reserves.

If one believes in the economists’ theory of “convergence” — that is, the coming closer together of the product and income of companies, regions and countries — then the conclusion is clear: As China, India, South Korea, Brazil, Mexico and Indonesia all “catch up,” the American share of things will relatively shrink. Sooner or later — and this debate really is about “sooner” or “later,” not about “if” — we are going to witness another major shift in the global balances of power.

Even in the shorter term, I guess I would be looking a little more keenly at the current distribution of my portfolios, just to ensure that when I had to come to “render my accounts,” I would not look awfully out of date. And, as an international author, I am happy to take my fees and royalties in many currencies, just to be on the safe side.

Paul Kennedy is Dilworth Professor of History and director of International Security Studies at Yale University. His books include “The Rise and Fall of the Great Powers.”

O ponto crítico da civilização - Ago 09

Muito importante a nota que Lester Brown está divulgando sobre o "tipping point", o ponto de não retorno de uma série de crises que se aproximam (energia, alimentação, clima etc.).

O ponto crítico da civilização
Lester Brown
27/08/2009

Tem aumentado a preocupação com os pontos críticos da natureza. Cientistas já questionam, por exemplo, a capacidade de recuperação das espécies em risco de extinção. Biólogos marinhos, por sua vez, estão preocupados com o fato de que a pesca excessiva dará início ao colapso dessa indústria.

Sabemos que existiram pontos críticos em civilizações antigas, pontos em que a população foi dominada pelas forças naturais que as ameaçavam. Por exemplo, em algum ponto, o acúmulo de sal relacionado à irrigação do solo esgotou a capacidade agrária dos Sumérios. Com os Maias, os efeitos danosos do desmatamento associados à perda da fertilidade do solo tornaram-se irreversíveis.

Porém, os pontos críticos que levam ao declínio e ao colapso de uma sociedade nem sempre são facilmente previstos. De forma geral, os países desenvolvidos podem lidar com novas ameaças de forma mais efetiva do que os países em desenvolvimento. Por exemplo, enquanto os governos de países industriais têm sido capazes de manter os índices de infecção do HIV entre adultos abaixo de 1%, muitos governos de países em desenvolvimento têm falhado nesse controle e agora estão lutando com altos índices de infecção. Isto é mais evidente em alguns países sul-africanos, onde 20% ou mais adultos estão infectados.

Uma situação semelhante existe com o crescimento populacional. Enquanto a taxa se mantém estável em quase todos os países industrializados, exceto os Estados Unidos, observa-se o contrário em quase todos os países da África, Oriente Médio e do subcontinente indiano - onde a taxa populacional é crescente. Esses 80 milhões de pessoas a mais no mundo por ano nascem, exatamente, em países onde os sistemas naturais já estão se deteriorando, em face da excessiva pressão populacional. Nestes países, o risco de falência do Estado também está crescendo.

No entanto, alguns assuntos parecem superar até mesmo as habilidades de governança das nações mais avançadas. Quando alguns poucos países detectaram a redução nos níveis de água dos lençóis subterrâneos, era lógico esperar que seus governos rapidamente elevassem a eficiência racional do recurso e estabilizassem o crescimento da população, para estabilizar os aqüíferos. Infelizmente, nenhum país - desenvolvido ou em desenvolvimento - o fez. Dois Estados em falência, onde o resultado da extração excessiva da água soma-se à falta de uma política de segurança hídrica, são o Paquistão e o Iêmen.

Embora a necessidade de cortar as emissões de carbono seja evidente já há algum tempo, nenhum país conseguiu se tornar uma nação “carbono-neutra”. Até mesmo as sociedades tecnologicamente mais avançadas enfrentam muita dificuldade política para isso. Poderiam, assim, os crescentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera, provarem-se tão incontroláveis para a nossa civilização quanto os níveis de sal no solo foram para os Sumérios no ano 4.000 A.C.?

Outro ponto de pressão sobre os governos é a redução da oferta de combustível fóssil. Embora a extração mundial de petróleo tenha excedido, em 20 anos, a descobertas de novas reservas, somente a Suécia e a Islândia possuem algo que remotamente assemelhe-se a um plano para lidar efetivamente com uma retração da oferta.

Este não é um inventário exaustivo de problemas não resolvidos, mas apresenta uma noção da quantidade deles. Analiticamente, o desafio é avaliar os efeitos de pressionar cada vez mais o sistema natural global. O resultado desse estresse ficou evidente na atual questão da segurança alimentar, o ponto fraco de muitas civilizações antigas que entraram em colapso.

Além da dificuldade de adaptação ao crescimento constante da demanda por alimentos, várias tendências convergentes estão tornando as coisas ainda mais difíceis para agricultores ao redor do mundo. Os pontos críticos delas são a queda dos níveis dos lençóis freáticos, o uso indevido de terras cultiváveis e ocorrências climáticas extremas, incluindo ondas de calor, secas e enchentes. Como os problemas não resolvidos se acumularam, os governos mais fracos estão começando a sucumbir.

Para agravar a situação, os Estados Unidos, maiores produtores mundiais de trigo, aumentaram dramaticamente sua participação na safra de grãos utilizando o etanol como combustível - saltando de 15%, em 2005, para mais de 25% em 2008. Esse esforço mal orientado para reduzir a dependência do petróleo ajudou a conduzir os preços mundiais de grãos a elevações constantes até meados de 2008, criando uma insegurança alimentar mundial sem precedentes.

Os riscos desses problemas acumulados (e suas conseqüências) dominarão cada vez mais os governos, levando à falência generalizada do Estado e, finalmente, ao fim da civilização. Os países que estão no topo da lista de Estados em falência não são particularmente uma surpresa. Incluem, por exemplo, Iraque, Sudão, Somália, Chade, Afeganistão, República Democrática do Congo e o Haiti. E a lista cresce cada vez mais a cada ano, levantando questões perturbadoras: quantos Estados em falência serão submetidos a isso antes do fim completo da civilização? Ninguém sabe a resposta, mas é uma pergunta que precisamos fazer.

Estamos numa corrida entre os pontos críticos da natureza e nossos sistemas políticos. Podemos desativar poderosas usinas de carvão antes que o derretimento da calota de gelo da Groelândia se torne irreversível? Podemos reunir vontade política pelo fim do desmatamento na Amazônia antes que as crescentes queimadas cheguem a um ponto sem retorno? Podemos ajudar os países a estabilizarem a população antes que se tornem Estados em falência?

Temos tecnologias para restaurar os sistemas naturais de suporte da Terra, para erradicar a pobreza, para estabilizar a população, para reestruturar a economia energética mundial e o clima. O desafio agora é construir vontade política para fazê-lo. Salvar a civilização não é um esporte para espectadores. Cada um de nós possui um papel de liderança a representar.

Adaptado do Capítulo 1, “Entering a New World”, Lester R. Brown, Plano B 3.0: Mobilizing to Save Civilization (Nova Iorque: W.W. Norton & Company, 2008), disponível para download gratuito e para compra no site do Earth Police Institute.

*Tradução: Leticia Freire, do Mercado Ético

Lester R. Brown é considerado um dos mais influentes pensadores mundiais. Formado em ciências agrícolas, dedica-se à pesquisa e ao debate dos grandes temas ambientais e econômicos desde os anos 70, quando fundou o World Watch Institute. É também fundador do Earth Policy Institute.

Publicado em:
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-ponto-critico-da-civilizacao/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje 

O original em inglês, pelo Earth Policy Institute:
http://www.earthpolicy.org/Books/Seg/PB3ch01_ss5.htm

Empregos Verdes - OIT - Ago 09

A OIT lançou uma cartilha sobre o seu programa de Empregos Verdes, A cartilha é muito sumária, mas a iniciativa tem imensa importância, pois o enfrentamento dos dramas ambientais e da tragédia social pode simultâneamente assegurar uma alocação racional de recursos financeiros e promover empregos decentes. Um resumo da proposta pode ser encontrado na cartilha em português em http://www.oitbrasil.org.br/topic/green_job/doc/cartilha_empregos_verdes_15.pdf  e uma visão já mais completa no resumo executivo da proposta, em inglês (disponível também em espanhol), em
http://www.ilo.org/global/What_we_do/Publications/Booksandpublications/lang--en/docName--WCMS_098487/index.htm

A Profile of America's 'Top-Heaviest' Year

O texto abaixo apresenta a impressionante concentração de renda nos Estados Unidos, em particular das 14.588 famílias que têm uma renda média da ordem de 35 milhões de dólares por ano. Além do absurdo do nível de remuneração, a apropriação deste tipo de renda envolve uma grande concentração de poder político, desequilibrando o processo. Os excessos de riqueza e de pobreza são igualmente patológicos em termos de sociedade. (LD)

A Profile of America's 'Top-Heaviest' Year

Concentração de renda no topo do topo nos EUA - Texto de www.toomuchonline.org  (17 agosto de 2009)

Emmanuel Saez, the Berkeley economist who many now consider the world’s top authority on the incomes of the super rich, has never been one for sweeping statements. He tends to let his data do the talking. But his latest data — from the crunching of just-released IRS tax records for 2007 — have wowed even Saez.

America’s most affluent, those data show, have never grabbed a greater share of the nation’s income than they did in 2007. The nation’s top .01 percent of income-earners in 2007 — taxpayers who made over $11.5 million — pulled in 6.04 percent of all income, the highest top .01 percent share of the nation’s income since the IRS started keeping records back in 1913. 

The year 2007, a rather awestruck Saez noted earlier this month, “was an incredibly good year for the super rich.”

The 14,588 families who made up 2007’s top .01 percent averaged $35,042,705 in income, 1,080 times the $32,421 average income of America’s bottom 90 percent. The gap between the top .01 percent and the bottom 90 percent, before 2007, had never stretched over 1,000 times.

Was 2007 the most unequal, top-heavy year in American history? That depends on how you define the top. If you’re looking at only the tippy-top of the income distribution — families in the richest tenth or hundredth of 1 percent — 2007 “wins” the inequality honors hands down.

But if you define rich a bit more broadly, as the top 1 percent, the rich of 2007 don’t quite match the sticky fingers of their awesomely affluent counterparts back in the late 1920s.

In 1928, the last full year before the Great Depression, America’s most affluent 1 percent took in 23.94 percent of the nation’s income. The comparable figure for 2007's top 1 percent: 23.5 percent.

Those 1928 wealthy would see their share of the nation’s income drop sharply as the Depression deepened. Economic shocks to the system, as Berkeley's Emmanuel Saez notes, almost always cost the rich income share, since profits from businesses and stock market wheeling and dealing tend to “fall faster than average income” during economic downturns.

But what happens next can vary enormously. After the Great Depression, the super rich share of America’s income stayed down — for over a generation. The quarter of the nation’s income that the top 1 percent collected in 1928 actually shrank all the way down to 10 percent in the early 1950s and didn’t start rising appreciably again until after Ronald Reagan’s 1980 election.

After the recession early in the 1990s and the downturn in the early 2000s, a totally different story. The super rich income share did dip after each of these recessions, but only momentarily.

Why did the super rich share of the nation's income go down and stay down after the Great Depression and come right back up after the recessions of recent years?

No mystery here. During the 1930s and early 1940s, as Saez points out, the New Deal put in place financial regulations and progressive tax rates that prevented “income concentration from bouncing back.” In the 1990s, by contrast, Congress and the White House deregulated financial markets. In the 2000s, the two joined to cut taxes on the rich.

So what will happen after our current Great Recession ends? That remains the $64,000 question of our time. In the 1980s, we let market fundamentalists dismantle a huge chunk of the New Deal legacy. The institutions that had kept America's super rich less than super — most notably, progressive taxation and strong trade unions — begin to go by the wayside.

In their place came the record inequality that the new Saez figures so dramatically document — and, over the last year, the worst economic times that Americans under 70 have ever seen.

“We need to decide as a society whether this increase in income inequality is efficient and acceptable,” says Emmanuel Saez, reverting back to his customary eminently sober academic tone, “and, if not, what mix of institutional reforms should be developed to counter it.”

The rest of us can’t afford to be so understated. Those reforms, starting with higher progressive tax rates on high incomes, can’t begin too soon.

A Civilizational tipping point - Lester R. Brown (aug 2009)

Lester R. Brown

Earth Policy Institute
Plan B 3.0 Book Byte
August 12, 2009
http://www.earthpolicy.org/Books/Seg/PB3ch01_ss5.htm

In recent years there has been a growing concern over thresholds or tipping points in nature. For example, scientists worry about when the shrinking population of an endangered species will fall to a point from which it cannot recover. Marine biologists are concerned about the point where overfishing will trigger the collapse of a fishery.

We know there were social tipping points in earlier civilizations, points at which they were overwhelmed by the forces threatening them. For instance, at some point the irrigation-related salt buildup in their soil overwhelmed the capacity of the Sumerians to deal with it. With the Mayans, there came a time when the effects of cutting too many trees and the associated loss of topsoil were simply more than they could manage.

The social tipping points that lead to decline and collapse when societies are overwhelmed by a single threat or by simultaneous multiple threats are not always easily anticipated. As a general matter, more economically advanced countries can deal with new threats more effectively than developing countries can. For example, while governments of industrial countries have been able to hold HIV infection rates among adults under 1 percent, many developing-country governments have failed to do so and are now struggling with much higher infection rates. This is most evident in some southern African countries, where up to 20 percent or more of adults are infected.

A similar situation exists with population growth. While populations in nearly all industrial countries except the United States have stopped growing, rapid growth continues in nearly all the countries of Africa, the Middle East, and the Indian subcontinent. Nearly all of the 80 million people being added to world population each year are born in countries where natural support systems are already deteriorating in the face of excessive population pressure, in the countries least able to support them. In these countries, the risk of state failure is growing.

Some issues seem to exceed even the management skills of the more advanced countries, however. When countries first detected falling underground water tables, it was logical to expect that governments in affected countries would quickly raise water use efficiency and stabilize population in order to stabilize aquifers. Unfortunately, not one country--industrial or developing--has done so. Two failing states where overpumping water and security-threatening water shortages loom large are Pakistan and Yemen.

Although the need to cut carbon emissions has been evident for some time, not one country has succeeded in becoming carbon-neutral. Thus far this has proved too difficult politically for even the most technologically advanced societies. Could rising carbon dioxide levels in the atmosphere prove to be as unmanageable for our early twenty-first century civilization as rising salt levels in the soil were for the Sumerians in 4000 BC?

Another potentially severe stress on governments is the coming decline in oil production. Although world oil production has exceeded new oil discoveries by a wide margin for more than 20 years, only Sweden and Iceland actually have anything that remotely resembles a plan to effectively cope with a shrinking supply of oil.

This is not an exhaustive inventory of unresolved problems, but it does give a sense of how their number is growing as we fail to solve existing problems even as new ones are being added to the list. Analytically, the challenge is to assess the effects of mounting stresses on the global system. These stresses are perhaps most evident in their effect on food security, which was the weak point of many earlier civilizations that collapsed.

Several converging trends are making it difficult for the world’s farmers to keep up with the growth in food demand. Prominent among these are falling water tables, the growing conversion of cropland to nonfarm uses, and more extreme climate events, including crop-withering heat waves, droughts, and floods. As the stresses from these unresolved problems accumulate, weaker governments are beginning to break down.

Compounding these problems, the United States, the world’s breadbasket, has dramatically increased the share of its grain harvest going to fuel ethanol--from 15 percent of the 2005 crop to more than 25 percent of the 2008 crop. This ill-conceived U.S. effort to reduce its oil insecurity helped drive world grain prices to all-time highs by mid-2008, creating unprecedented world food insecurity.

The risk is that these accumulating problems and their consequences will overwhelm more and more governments, leading to widespread state failure and eventually the failure of civilization. The countries that top the list of failing states are not particularly surprising. They include, for example, Iraq, Sudan, Somalia, Chad, Afghanistan, the Democratic Republic of the Congo, and Haiti. And the list grows longer each year, raising a disturbing
question: How many failing states will it take before civilization itself fails? No one knows the answer, but it is a question we must ask.

We are in a race between tipping points in nature and our political systems.
Can we phase out coal-fired power plants before the melting of the Greenland ice sheet becomes irreversible? Can we gather the political will to halt deforestation in the Amazon before its growing vulnerability to fire takes it to the point of no return? Can we help countries stabilize population before they become failing states?

We have the technologies to restore the earth’s natural support systems, to eradicate poverty, to stabilize population, and to restructure the world energy economy and stabilize climate. The challenge now is to build the political will to do so. Saving civilization is not a spectator sport. Each of us has a leading role to play.

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Adapted from Chapter 1, “Entering a New World,” in Lester R. Brown, Plan B
3.0: Mobilizing to Save Civilization (New York: W.W. Norton & Company, 2008), available for free downloading and purchase at www.earthpolicy.org/Books/PB3/index.htm.

 

Inaugurados mais quatro bancos comunitários - Ago 09

Boletim Acontece Senaes - 5a. edição
Ministério do Trabalho e Emprego

Movimentos sociais em parceria com a SENAES inauguram quatro bancos comunitários na cidade de São Paulo

"O crédito faz a ponte entre o presente e o futuro”. Essa frase de John Maynard Keynes foi utilizada pelo Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, no dia 5 de junho durante ato de lançamento, na Câmara Municipal de São Paulo, de quatro bancos comunitários. A frase reflete a importância dessa iniciativa em comunidades que, em muitos casos, não tem acesso ao crédito, nem tampouco aos serviços bancários. Os bancos comunitários são projetos de apoio à economia popular de municípios de baixo Indíce de Desenvolvimento Humano e prestam serviço financeiro solidário em rede de natureza associativa e comunitária. Além disso, os bancos comunitários atuam para a geração de trabalho e renda promovendo a economia solidária. Os bancos comunitários são de propriedade da comunidade, que também é responsável por sua gestão.

Nos dias 6 e 7 de junho foram inaugurados quatro bancos comunitários em São Paulo. Esse lançamento faz parte do projeto Moradia Solidária e vem sendo desenvolvido pelos seguintes Movimentos de Moradia: Sem Terra da Zona Norte, Paulo Freire, Vista Linda e União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul (UMMIZS). Tais movimentos contam com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo (ITCP/USP).

Esse projeto foi realizado com o recurso da emenda parlamentar do ex-Deputado Federal Roberto Gouveia e foi executado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária em parceria com o Instituto Palmas. Os bancos estão localizados nas quatro extremidades de São Paulo, sendo o Banco Comunitário Apuanã na Zona Norte, Banco Comunitário Autogestão na Zona Sul, Banco Comunitário Vista Linda na Zona Oeste e o Banco Comunitário Paulo Freire na Zona Leste.

De acordo com a Gerente do Banco Apuanã, Hilda Pires,“para muita gente da comunidade esse banco era apenas um sonho e hoje estamos vendo que ele se tornou realidade. Hoje, estamos realizando um projeto que permite que as pessoas trabalhem, consumam e produzam dentro da nossa comunidade”, diz. A realização desse sonho começou a ser concretizada há um ano, quando seis membros da comunidade fizeram curso de formação oferecido pela ITCP/USP juntamente com o Laboratório de Extensão da USP que tinha como objetivo a formação em economia solidária, assim como a formação para os princípios e estratégias dos bancos comunitários.

Os quatro bancos comunitários criados em São Paulo deverão integrar uma Rede que hoje possuí 44 bancos em todo país. Esse projeto foi inspirado na experiência do conjunto Palmeiras, Ceará, quando alguns membros da comunidade perceberam que ali não existia uma situação de pobreza, mas sim, uma situação de empobrecimento, já que toda a renda da comunidade era gasta fora dela. A partir de então, surgiu à idéia de um banco para comunidade, para fazer com que os recursos girassem dentro da própria comunidade. Uma particularidade desse banco é a utilização da moeda social, instrumento que incentiva e fortalece o desenvolvimento local. Essa moeda deverá ser utilizada apenas dentro daquela comunidade específica, e para que ela gere resultados é necessário que os empreendimentos locais a aceitem. Para Singer, “moeda social é um instrumento que permite criar um território próprio, além de criar uma proteção aos novos empreendimentos que serão geridos pela comunidade. A partir da utilização das medas sociais é possível desenvolver economia própria e ter uma área de produção coletiva e autogestionária”, afirma.
 
Fonte: Boletim Informativo – Número 5 – Acontece SENAES

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